Com ataques hackers recorrentes, empresas precisam de um time focado em segurança de dados

Os ataques cibernéticos no Brasil tiveram um aumento considerável em 2021, e mesmo grandes corporações, com setores exclusivos para cibersegurança, sentiram essa ameaça e foram vítimas de golpes e fraudes em larga escala. A tendência nesse ano é de um aumento no cenário de golpes, com o avanço da tecnologia na digitalização dos negócios e, por consequência, um aumento no controle corporativo de dados.

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Segundo levantamento global da consultoria Accenture, cada empresa registrou 270 ataques cibernéticos em 2021, um aumento de 31% frente a 2020. Desse total, 11% foram bem-sucedidos, ou seja, afetaram o sistema das companhias. Como ataque, a pesquisa da Accenture define “acesso não autorizado de dados, aplicativos, serviços, redes ou dispositivos”.

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O dado, já alarmante, piora quando a pesquisa aponta que mais da metade das empresas (55%) não combatem ataques cibernéticos de forma efetiva, nem conseguem localizar, reverter ou reduzir o impacto destas violações.

Foram três grandes vazamentos ocorridos durante o ano passado, em janeiro, fevereiro e setembro, fazendo com que mais de 600 milhões de dados pessoais da população ficassem expostos na Deep Web e em outros sites públicos.

O grande problema das corporações está no avanço e crescente sofisticação dos ataques, que poderiam ser evitados com ações simples de defesa cibernética -80% das ocorrências- se as empresas também tivessem outras preocupações além de resultados.

Atualmente, a Lei Geral de Proteção de Dados visa proteger os direitos de privacidade dos usuários, tratando seus dados da melhor forma possível, inibindo a ação inadequada de terceiros, um processamento, armazenamento seguros e, claro, a transparência de informações.

Ao aplicarmos alguns critérios nesse cenário, as informações precisam ser tratadas em quatro níveis:

  • Confiabilidade: Apenas os responsáveis diretos pelos dados têm acesso, evitando a divulgação do usuário, entidade ou processos não-autorizados;
  • Integridade: Preservar as informações e dados coletados para que não sejam alterados ou excluídos sem autorização;
  • Disponibilidade: Garantir que o acesso aos sistemas, dados e serviços sejam realizados apenas por pessoas autorizadas;
  • Autenticidade: Preservar a identidade da pessoa que está enviando a informação e confiando dados pessoais à sua empresa.

À medida que os ciberataques crescem em volume e complexidade, a inteligência artificial (IA) está ajudando analistas de operações de segurança com recursos escassos a prever ameaças. Tecnologias de inteligência artificial, como machine learning e processamento de linguagem corporal, permitem que analistas respondam a ameaças com maior confiança e velocidade.

Investir mais não necessariamente significa uma maior segurança, pois é importante definirmos como gastar esse investimento, além de entender que todas as empresas estão sujeitas a um ataque hacker, a qualquer momento.

A proteção de dados, tanto corporativos, de transações ou de clientes, que possam ser usados de má-fé em um vazamento, é muito importante e diz muito sobre a segurança das empresas, que precisam entender não apenas sobre a própria segurança, mas sobre a segurança de cada setor corporativo.

Em suma, entre os principais pontos de atenção, estão as camadas de segurança interna e externa, proteção de dados internos da empresa, assim como o acesso físico do setor, e investimento em treinamento e capacitação de equipes, para que todos da empresa estejam alinhados com a ética empresarial de uso e proteção das informações.

*Carlos Baleeiro é Country Manager da ESET no Brasil

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