Você com certeza já viu o atleta olímpico jamaicano Usain Bolt correr, certo? Conhecido por entregar uma velocidade extrema nas competições de atletismo, Bolt é um homem cuja rapidez só se equipara à raiva que ele causa em seus concorrentes. Mas e se o concorrente de Usain Bolt fosse um um dinossauro de 400 kg?

Essa é a pergunta formulada por Scott Lee, um professor de Física da Universidade de Toledo, em um novo estudo publicado no livro The Physics Teacher. A ideia do acadêmico era a de criar uma forma divertida de engajar alunos do ensino superior na disciplina da Física – algo que, se você ainda tem memórias dos seus tempos estudantis, tem o potencial de ser incrivelmente tedioso.

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Montagem coloca o corredor Usain Bolt ao lado de  um dinossauro
O sorriso no rosto de um homem que olha para um predador pré-histórico e diz “vem que tem, nenê” (Imagem: Globo Esporte/BRIAN ENGH/THE SAINT GEORGE DINOSAUR DISCOVERY/Reprodução)

O exercício proposto pede que os alunos apliquem os quatro conceitos fundamentais da cinemática (deslocamento, velocidade, agilidade e aceleração) para determinar se o multi medalhista olímpico derrotaria um dilofossauro (Dilophossarus wetherilli) em uma corrida de 100 metros rasos.

“Um grande problema com as aulas de física é gerar interesse dos estudantes no material do curso”, disse Lee. “Esse problema com dinossauros acende esse interesse. Um bom número de professores de Física tem, ao longo dos anos, tomado esse curso generalizado de educação simplesmente por acharem que os dinossauros são legais. Então eu percebi que eles ficariam mais empolgados em trabalhar os dinossauros em exemplos de física”.

“Esse curso” é um conjunto de aulas educacionais sobre a busca e descoberta de fósseis para pessoas não iniciadas na ciência da Paleontologia – aulas que Scott Lee tomou junto de sua família enquanto crescia.

O problema com essa ideia é que não serviria de muita coisa pegar qualquer dinossauro: questões como massa, capacidade de projeção do corpo, quão rápido um animal desenvolve a velocidade – tudo isso impactaria no resultado final do exercício (ironicamente, Lee afirma que o icônico tiranossauro perderia para Bolt).

O dilofossauro – que você reconhece como o lagartão de meia altura que “cospe” aquela gosma venenosa na cara do ator Wayne Knight em Jurassic Park – se mostrou o candidato perfeito. “As velocidades máximas de corridas dos outros dinossauros eram significativamente diferentes da velocidade média de Usain Bolt e, por isso, essa não seria uma corrida interessante”.

O exercício do livro inclui discussões sobre a Segunda Lei de Newton – “a aceleração obtida por um corpo é diretamente proporcional à força resultante aplicada sobre o corpo e também inversamente proporcional à sua inércia”, caso você tenha esquecido.

Em outras palavras: considerando que a aceleração é determinada pela combinação da massa de um corpo e da força aplicada sobre ele, ser menor de tamanho daria a Usain Bolt uma vantagem sobre o dinossauro.

O resultado final: Bolt venceria a corrida, com mais ou menos dois segundos de sobra.

Lee está bem feliz com a adoção de seu formato de ensino em uma universidade prestigiada, e espera que seu trabalho influencie outros professores a pensarem em formas inovadoras de passar o conhecimento da disciplina adiante. Convenhamos, as aulas de Física seriam bem mais divertidas se nós tivéssemos que calcular, por exemplo, a velocidade de deslocamento do chinelo que nossas mães jogavam contra nós quando aprontávamos das nossas quando crianças, certo?

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