Ciência e Espaço

Putin afirma que programa espacial russo vai continuar, apesar de sanções

Por Rafael Arbulu, editado por Acsa Gomes
21/04/22 14h19, atualizada em 22/04/22 18h48
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Vladimir Putin não foi dissuadido de nenhum dos planos do programa espacial russo. Em evento solene realizado no último dia 12, o presidente da Rússia disse que todos os planos previamente antecipados pela indústria aeroespacial do país seguirão seus respectivos cursos, “apesar das dificuldades e tentativas do exterior de impedir este movimento”.

Por “dificuldades”, o presidente russo provavelmente se refere às sanções internacionais impostas ao seu país após este invadir a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022 – dando início a uma guerra que ainda está em curso e que, até agora, matou algo entre quatro e 15 mil pessoas (números realistas estão bem variados dependendo da fonte usada).

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De acordo com o presidente Vladimir Putin, nenhum plano do programa espacial russo será descartado, e país seguirá seu calendário espacial normalmente (Imagem: Roscosmos/Divulgação)

Desde o começo da guerra russo-ucraniana, a Rússia vem perdendo muito terreno no setor aeroespacial: além de sanções impostas pelos EUA, diversos (agora ex) parceiros decidiram virar as costas em projetos importantes – alguns, já até encaminhados – com a Roscosmos, a agência espacial do país.

Mais notável foi a ESA, que ao mesmo tempo revogou dois projetos de grande porte com a Rússia: a agência espacial europeia confirmou que não vai mais fazer parte da série de missões Luna, em direção à Lua; também cancelou o lançamento do rover Rosalind Franklin como parte da missão ExoMars, em direção à Marte – ambas usariam foguetes Soyuz (russos) para o transporte.

Mais além, a empresa de internet via satélite OneWeb anunciou não só que deixará de usar os foguetes russos para posicionar seus satélites em órbita, como confirmou que o transporte deles agora será uma responsabilidade da SpaceX – sua principal concorrente no setor.

Mesmo assim, o presidente Vladimir Putin segue incólume em sua fé no programa espacial russo: “nós vamos implementar todos os planos mapeados de forma consistente e persistente, mesmo diante de quaisquer dificuldades e tentativas do exterior e nos impedir”, disse o mandatário durante uma homenagem ao major soviético Yuri Gagarin, o primeiro homem a viajar ao espaço.

De acordo com informações da agência estatal russa de notícias TASS, Putin ainda assegurou que a missão Luna 25 – prevista para lançamento no segundo semestre deste ano – vai continuar sem impeditivos, além de prometer uma nova série de satélites de conexão banda larga, “uma nova geração de veículos espaciais” (provavelmente, ele se refere ao Angara, que falhou em um teste recente, mas o presidente não citou nomes específicos) e, finalmente, inovações em tecnologias de voo e propulsão.

O tópico onde Putin preferiu o silêncio, porém, foi nas atribuições militares do programa espacial russo: recentes relatos da mídia internacional afirmam que a Rússia está deliberadamente embaralhando sinais de GPS na Ucrânia, e o lançamento recente de um satélite militar de comunicações deixou a comunidade internacional incomodada por algumas semanas.

Fora isso, Putin reiterou a colaboração russa com a Bielorrússia no desenvolvimento de tecnologias de observação remota. A intenção foi inicialmente mencionada no começo de abril, quando ele se encontrou com o presidente Alexander Lukashenko, quando o comandante-chefe bielorruso visitou a região russa de Amur.

Vale citar que, atualmente, apenas as mídias estatais russas estão servindo como fontes de informações, tendo em vista que redes sociais e veículos independentes de imprensa foram ou fechados pelo governo, ou as próprias empresas que fazem suas gestões fecharam escritórios e retiraram funcionários para fins de segurança.

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