Educação, educação, educação. Todos concordamos que é a solução para colocar o Brasil onde ele merece estar em termos de desenvolvimento humano e qualidade de vida. Agora, no que você pensa quando se fala em educação? Na educação formal, por meio de disciplinas como matemática, português, etc.? Nos bons modos e na educação que recebemos dos pais? Nas boas práticas, quando pensamos em hábitos e costumes? Na cultura? O que é afinal educação, e que tipo de educação pode fazer maior diferença?

Refleti sobre isso na semana passada após um evento do qual participei ao lado de pessoas com pouca educação formal, mas extremamente bem-sucedidas. Fiquei me perguntando que diferença dominar a aritmética poderia ter feito para aquelas pessoas que chegavam de helicópteros e Lamborghinis.

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A verdade é que existem vários tipos de educação. Uma dessas categorias ganha grande destaque se pensarmos em prosperidade. Explico: as pessoas de sucesso que conheci naquela ocasião, todas, indistintamente, haviam mostrado grande determinação ao longo da vida, além de uma clara habilidade de planejar os próximos passos e realizar conquistas alinhadas a seus projetos pessoais.

Pensei, na hora, nas famílias americanas, que organizam sua vida para que os jovens saiam de casa aos 18 anos – o que talvez ajude a explicar por que os Estados Unidos são a potência que são. Até o cinema contribui para esse tipo de educação: qualquer filme americano traz fortes mensagens, subliminares ou explícitas, de sucesso associado a planejamento de vida.

Talvez seja esta a categoria de educação que poderia empurrar nossa juventude adiante, mas está em falta. Um tipo de educação que, espera-se, venha de casa, pelo exemplo dos pais, você dirá. Eu mesmo tive pai e mãe determinados, que imigraram para nos dar uma boa qualidade de vida tendo saído do nada. Eles foram nossos professores na disciplina Projeto de Vida. Mostraram a mim e aos meus irmãos o quanto era importante estabelecer metas e lutar firmemente para alcançá-las. Ensinaram-nos a ter perseverança, resiliência, fé. A fazer planos e não desviar deles.

E as crianças que não têm uma família estruturada ou pais exemplares?

A boa notícia é que São Paulo e Espírito Santo incluíram na grade do currículo escolar a disciplina Projeto de Vida, uma das competências definidas pela BNCC, a Base Nacional Comum Curricular. Como diz Rodolfo Ribeiro, fundador da startup 7waves, aplicativo para ajudar as pessoas a realizar seus planos pessoais, “o brasileiro é procrastinador: nem pular as sete ondas no réveillon a maioria consegue. Param na segunda ou na terceira onda”. É verdade. Torço muito para que essa educação chegue às muitas crianças que não podem contar com pais professores particulares em casa. Se fôssemos todos melhores em projetos de vida, saúde e criminalidade no Brasil seguramente estariam em patamares mais dignos.

No que se refere às empresas e à sua atual preocupação com ESG, conjunto de práticas sociais, ambientais e de governança de uma organização, também encontramos afinidades com a educação para Projeto de Vida. O Banco do Brasil nos ofereceu um exemplo dessa conexão ao capacitar 1000 jovens em desenvolvimento de softwares – e contratar, em paralelo, uma capacitação em Projeto de Vida para estes mesmos alunos. O BB quer que eles sirvam – e vençam.

Outro caso que mostra o impacto de ajudar as pessoas a planejarem suas vidas é o da escola SPTech, uma faculdade voltada para o ensino de tecnologia. Em entrevista que realizei recentemente com seus sócios, eles atribuíram diretamente o sucesso do negócio ao acompanhamento socioemocional dos vestibulandos e alunos. Seria maravilhoso se conseguissem resolver a escassez da força de trabalho em tecnologia e, ao mesmo tempo, preparar jovens determinados a vencer. Nos dois exemplos citados, a tecnologia faz grande diferença como plataforma capaz de disseminar esses ensinamentos.

Olhando para trás, para tudo o que aprendi em muitos anos de bancos escolares, me vem um gosto amargo, a sensação de que boa parte do que nos ensinam interessa aos outros, ao sistema. É uma educação para que nos encaixemos no mercado de trabalho e possamos servir. Quando o que deveríamos ter é uma educação para vencer.

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