Há um certo tempo, a Apple apresentou seu recurso CarKey, capaz de transformar o iPhone ou o Apple Watch em uma chave de veículo por meio de tecnologia de aproximação NFC – a mesma que permite telefones serem usados para pagar contas em máquinas de cartão. Basicamente, uma função para abrir e até ligar carros usando o telefone ou o smartwatch .

Agora, a Apple está indo um pouco além, fazendo com que o CarKey também faça a vez de bafômetro, para não deixar motoristas inconsequentes (e bêbados) dirigirem seus veículos. A introdução desse recurso foi vista em uma patente no Escritório de Patentes e Marcas Registradas dos Estados Unidos (USPTO) pelo pessoal do Patently Apple.

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Se beber, não dirija (nem tem como)

Então, a ideia é impedir que a pessoa beba e dirija. O recurso bloquearia o usuário do carro se níveis elevados de álcool no sangue fossem reconhecidos pelo telefone, relógio ou acessório conectado. Tal funcionalidade está baseada em uma patente anterior, observada no início de 2021.

No documento, em resumo, por meio de sensores, a Apple veria o iPhone ou o Apple Watch (ou qualquer dispositivo da marca) acessarem informações do usuário – como dados de respiração, níveis típicos de amônia e “níveis aceitáveis ​​de álcool para dirigir”, dentre outros. Aliás, testar a respiração poderia não ser o suficiente para satisfazer o aplicativo em algumas ocasiões.

A patente descreve situações em que um usuário pode ser encarregado de completar um desafio mental, como uma tarefa de destreza ou problema de matemática, o que resultaria em uma condição de “apto para dirigir ou não”. De qualquer forma, a existência de mais de uma patente nesse sentido (ainda que patentes não signifiquem que a ideia irá para uma produção efetiva) deixa a entender que a Apple está bem interessada em oferecer um recurso assim para os clientes.

Boa vontade do usuário

Há ainda uma ideia muito próxima a essa de bafômetro no iPhone, que apareceu aqui em 2017. A empresa de bafômetros BACtrack apresentou, durante a edição da Consumer Electronics Show (CES) daquele ano, uma pulseira para Apple Watch capaz de medir o teor de álcool no sangue do usuário em tempo real.

Através de um conjunto de sensores, a chamada BACtrack Skyn era capaz de detectar as pequenas quantidades de álcool que são liberadas através da pele. A partir de então, usando um algoritmo, o wearable convertia os dados em uma estimativa.

Porém, conforme lembra o TechRadar o sucesso desse tipo de recurso ainda fica dependendo da autoconsciência do usuário – com a pessoa precisando ativar um bafômetro mesmo sabendo que um resultado falho pode bloquer o acesso ao carro. E isso não parece ser exatamente o que um indivíduo imprudente faria.

Aqui no Brasil, a tecnologia não tem muita consequência: é proibido dirigir com qualquer nível de álcool no sangue. Na prática, a lei brasileira determina um limite de 0,04 mg/L por litro de ar no bafômetro, equivalente a 0,2 g por litro de sangue, ou 0,02%. Na prática, esse limite só existe para evitar falsos positivos e é impossível beber qualquer quantidade sem ser detectado.

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