Pesquisadores estão estudando o material genético de pessoas que perderam a vida em decorrência de uma doença que se convencionou chamar de “gripe espanhola”. De acordo com a pesquisa, a pandemia de 1918 pode ter sido causada por uma cepa ancestral do vírus H1N1, causador da Influenza A.

Os resultados, que foram publicados na revista científica Nature Communications, contrapõem hipóteses de que o H1N1 é resultado de um processo de rearranjo. Em outras palavras, que houve uma troca de segmentos genéticos vindos de diferentes subtipos de vírus ao longo do tempo.

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Vírus pode estar circulando até hoje

A possibilidade de que exista uma ligação entre a cepa de 1918 e o H1N1 que circula hoje em dia foi levantada com base em um método conhecido como relógio molecular. Essa abordagem permite aos pesquisadores estimar o número de mutações genéticas acumuladas ao longo do tempo.

influenza gripe
Vírus que causou uma das maiores pandemias da história pode ser um ancestral do que circula até hoje e é responsável pela gripe sazonal. Imagem: Shutterstock

Os pesquisadores esclarecem que desde a década de 1930 já se sabia que a pandemia da gripe espanhola havia sido causada por um vírus. Pesquisas mais recentes, porém, deixaram claro que esse vírus era do tipo influenza A e do subtipo H1N1.

A novidade deste estudo é a demonstração das semelhanças entre segmentos do material genético do final da década de 1910 com o que causa a gripe sazonal nos dias atuais. Porém, os pesquisadores fazem questão de ponderar que todos os resultados encontrados ainda são preliminares.

Avançar nesta pesquisa é complicado

De acordo com os pesquisadores, os restos mortais da época da pandemia da gripe espanhola que estão conservados o suficiente para a realização de estudos são pouquíssimos. Além disso, a maior parte deles já foi parcial ou totalmente sequenciados geneticamente.

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Neste estudo, os pesquisadores estudaram os tecidos pulmonares de três vítimas da gripe espanhola. Essas amostras são parte de uma coleção do Museu de História da Medicina, em Berlim, na Alemanha. Agora, os pesquisadores querem estudar mais amostras para reconstruir mais genomas.

Via: Folha de S. Paulo

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