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Erupção do vulcão Tonga vai afetar eclipse da Lua

11/05/22 10h18, atualizada em 11/05/22 11h32

Imagem: Marcelo Zurita

A erupção do vulcão submarino Hunga-Tonga Hunga-Ha’apai, ocorrido há 4 meses, foi a maior do Século 21 e uma das maiores dos últimos tempos. O evento causou tsunamis devastadores na região, lançou cinzas na estratosfera, produziu uma onda de choque que deu voltas na Terra e espalhou uma pluma pela atmosfera que coloriu os crepúsculos do outro lado do planeta. Agora, os efeitos da erupção do Vulcão Tonga serão percebidos até mesmo na Lua. O Eclipse Total da Lua, que ocorrerá na noite entre 15 e 16 deste mês, será especialmente escuro, graças à pluma lançada pela erupção do Vulcão Tonga na estratosfera.

Eclipse Total da Lua registrado a partir de Montain View, EUA em 2021 – Foto: David Hash

A afirmação é de um dos principais especialistas em eclipses do mundo, o brasileiro Hélio de Carvalho Vital, que é o convidado desta sexta (13) do Programa Olhar Espacial. Segundo Hélio, o eclipse do próximo final de semana já seria normalmente escuro, já que a Lua vai passar bem próximo ao centro do cone de sombra da Terra, a chamada umbra. Entretanto, com os efeitos provocados pela pluma vulcânica do Honga-Tonga, o brilho da Lua pode ficar 1,5 magnitude mais escura, o que seria algo em torno de 4 vezes menos luminosa que o que já era esperado e, aproximadamente 300 mil vezes mais escura que uma Lua Cheia no perigeu (ponto mais próximo à Terra).

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Isso deve ocorrer porque o enxofre lançado na estratosfera junto com as cinzas vulcânicas, reagem com as moléculas de água produzindo aerossóis de sulfato. Esses aerossóis acentuam o efeito da dispersão dos raios solares, refletindo mais facilmente as componentes violeta e azul da luz branca do Sol, e deixando passar as componentes mais próximas do vermelho. Esse fenômeno, conhecido como Dispersão de Rayleigh, é o que torna nosso céu azul, o pôr do Sol alaranjado, e a Lua, vermelha durante um Eclipse Total. 

Efeito da dispersão de Rayleigh na coloração da Lua durante eclipse – Imagem: Marcelo Zurita

Então, da mesma forma como nossos crepúsculos estão mais avermelhados nos últimos meses, por conta da pluma do Vulcão Tonga, o Eclipse da noite entre 15 e 16 de maio, deve ser ainda mais escuro pelo mesmo motivo. A Lua deve assumir uma coloração vermelha bem escura, “puxando” para o marrom. Em locais mais afastados das luzes dos grandes centros urbanos, será possível contemplar um eclipse esplendoroso, com um céu verdadeiramente estrelado ao fundo. Uma imagem rara e uma experiência única de um dos mais belos fenômenos astronômicos que existe.

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