O Bradesco anunciou que sua subsidiária Bradesco Financiamentos detectou um vazamento de dados de cerca de 53 mil clientes. A empresa relatou que foi encontrado um pequeno incidente que pode ter permitido a visualização não autorizada dos contratos dos clientes.  

“Todas as medidas necessárias para a solução do incidente, bem como de comunicação aos clientes e às autoridades competentes, foram adotadas”, informou o banco em comunicado enviado à agência de notícias Reuters.  

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O Bradesco informou também que o possível vazamento não colocou em risco a integridade de acesso a sistemas transacionais dos clientes. 

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Bradesco Financiamentos anuncia possível vazamento de dados de 53 mil clientes. Imagem: rafapress/Shutterstock

“Infelizmente está cada vez mais comum e recorrente, o vazamento de dados pessoais por instituições financeiras. Eles geralmente alegam que os dados vazados são dados cadastrais e que não são dados que possam comprometer o dono ou que tenha algum nível de risco problemático para os clientes e usuários em nível de acesso ou transações financeiras. Isso minimiza o impacto negativo na notícia de vazamento, mas não retira o dano real e a hipótese de que isso não gerou riscos para os clientes. Nós conseguimos entender o nível de proteção que os bancos investem na questão dos seu portais de senhas para evitar que roubos aconteçam, mas fica nítido como deixam a segurança dos dados cadastrais em segundo plano. Isso faz com o que aumente a frequência de pessoas não autorizadas terem acesso ao dados ou clientes serem expostos a uma vulnerabilidade. Mostrando o nível de risco e baixo esforço das instituições no quesito de segurança fim-a-fim”, afirma Thiago Cabral, especialista em Segurança Digital.

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De acordo com ele, os dados cadastrais possuem alto valor para o mercado negro: “São uma mina de ouro para criminosos para realizações de golpes digitais, como tem acontecido com muita frequência. Um dos motivos dos ataques e golpes de WhatsApp, e-mails e sms estarem crescendo, provavelmente está relacionado a esses tipos de vazamentos de dados pessoais, pois bandidos usufruem do acesso a essas informações para construírem e aplicarem diversos formatos de golpes. No caso do vazamento de dados do Bradesco, o golpista poderiam ter acessos aos dados contratuais e com poderiam entrar em contato com a vítima ou cliente, se passando como representante do próprio Bradesco ou alguma instituição financeira dizendo que está ciente que a vítima está com algum tipo de financiamento em andamento oferecendo descontos atrativos para pagarem no ato, podendo ser via PIX, depósito etc. Com isso, as vítimas podem ser facilmente enganadas, pois os criminosos possuem muito mais credibilidade nos discursos justamente por ter acesso a essas informações vazadas anteriormente. Portanto, o vazamento desses dados, representa sim, um risco gigantesco para os usuários e clientes do banco e por isso, os bancos precisam ser penalizados quanto a isso”.

“A Lei geral de proteção de dados LGPD deixa claro que as instituições devem garantir e zelar por esses dados. Coisa que não está acontecendo. Agora obviamente será feito uma perícia para saberem o que realmente aconteceu, se foi por algum descuido do banco de realmente não seguir os padrões de segurança adequados ou se foi um caso de força maior, como algum terceiro que vazou a informação, por exemplo. Mas isso será avaliado, pois o banco pode sim ser punido de acordo com as normas da LGPD.
Para o usuário e cliente que tiveram seus dados vazados, a nossa recomendação é que realmente fiquem atentos e que tomem todo o cuidado com contatos suspeitos, sejam eles por e-mails, sms, WhatsApp, telefone etc, solicitando dados e pedindo acesso à contas, pedindo para trocar senhas, pois realmente, quando se tem algum dado vazado, a probabilidade que isso aconteça e que você sofra algum tipo de golpe, é bastante alta. Portanto, desconfie e evite passar dados que você considera como importantes para qualquer pessoa de forma remota ou que não tenha certeza de que realmente se trata do próprio banco no qual possui conta. Procure meios e certifique-se de que se trata de um contato real ou um princípio de golpe”, completou Cabral.

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Clientes do C6 Bank desviam R$ 23 milhões após falha de sistema 

Recentemente, clientes do C6 Bank aproveitaram uma possível falha no sistema para desviar o valor de R$ 23 milhões a partir do produto CDB Crédito. Agora, a Polícia Civil de São Paulo está investigando o caso que beneficiou cerca de 5 mil correntistas do banco e a maioria são moradores da Baixada Fluminense , no Rio de Janeiro. 

A informação da fraude foi divulgada pela Veja, que noticiou que há linhas diferentes de investigação. Uma em que a polícia apura se houve o planejamento do golpe por uma organização criminosa e outra que os agentes desconfiam que o problema foi descoberto e um foi passando a informação para o outro. 

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O golpe foi cometido por correntistas existentes e em smartphones únicos, o que chamou bastante atenção do caso. Os desvios ocorreram em pontos específicos das comunidades fluminenses e por mais que a Justiça bloqueie a conta de todos os envolvidos, conseguindo o dinheiro, todas as pessoas estão com uma espécie de débito no banco. 

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