Ciência e Espaço

NASA anuncia que a sonda InSight tem poucos meses de “vida” em Marte

Por Flavia Correia, editado por Acsa Gomes
19/05/22 12h57, atualizada em 20/05/22 15h15
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Após fornecer medições sem precedentes sobre a atividade sísmica em Marte e até imagens fascinantes (como a de um nascer do Sol), a sonda InSight está prestes a se aposentar. É o que revelam cientistas da NASA responsáveis pela condução da missão, que explora o Planeta Vermelho desde novembro de 2018.

Em solo marciano desde novembro de 2018, a sonda InSight está com seus dias contados no Planeta Vermelho. Imagem: NASA/Divulgação

Recentemente, o módulo de pouso detectou o maior abalo sísmico já registrado não só em Marte como em qualquer lugar fora da Terra: um “martemoto” de magnitude 5. Para os padrões terrestres, isso não seria grande coisa. Por aqui, tremores dessa intensidade ocorrem meio milhão de vezes por ano e raramente causam danos mais graves do que arremessar objetos das prateleiras ou rachar vidraças. 

No entanto, imagens e detecções como essas, em breve, ficarão apenas na história. Isso porque a sonda InSight não suporta mais o acúmulo de poeira que tem se formado em seus painéis solares, perdendo gradativamente sua capacidade de captar energia.

De acordo com informações fornecidas pela agência espacial norte-americana durante uma entrevista coletiva concedida na quarta-feira (17), o módulo está operando abaixo de um décimo de sua potência disponível de 5.000 watts-hora por dia marciano (que é chamado sol e equivale a, aproximadamente, 24h39min).

“Quando pousamos, era cerca de 40 minutos a uma hora,o equivalente ao consumo de um forno elétrico convencional”, disse Kathya Zamora Garcia, vice-gerente de projetos da InSight no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA. “Agora, o InSight não consegue produzir mais de 500 watts-hora, nos permitindo trabalhar apenas por cerca de 10 minutos, no máximo”.

Movida a luz solar, a sonda InSight não está resistindo ao acúmulo de poeira em seus painéis de captação de energia. Imagem: NASA Insight Ethz/Reprodução

Entre outras conquistas, a missão permitiu aos cientistas conhecer limites precisos na espessura da crosta e no tamanho do núcleo, o que, para Bruce Banerdt, principal investigador da JPL, é um êxito coroante da missão.

“Nós tínhamos somente uma imagem muito confusa do que estava acontecendo dentro de Marte, e acho que a contribuição real do módulo InSight é que, agora, podemos realmente desenhar uma imagem quantitativamente precisa do interior do planeta”, disse ele.

Legado da missão InSight em Marte ficará disponível para investigações futuras

Há meses, a NASA vem alertando que o InSight provavelmente não resistiria até o meio deste ano. Em janeiro, uma grande tempestade de poeira regional cobriu os painéis solares do módulo de pouso, o que acionou automaticamente o modo de segurança. Isso já havia acontecido repetidas vezes em 2021, gerando um acúmulo de poeira e reduzindo sua fonte de energia.

Devido a preocupações de peso e potência, o lander não carrega um sistema suplementar para limpar a poeira, como motores ou escovas. Então, usando um furo no braço robótico, a equipe responsável pelo InSight reduziu um pouco a poeira em um painel, e ganhou vários impulsos de energia, mas essas atividades se tornam cada vez mais difíceis à medida que a energia disponível diminui.

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Para preservar a potência da sonda da melhor forma possível, esse braço robótico será colocado em uma “pose de aposentadoria”, em uma posição invertida em forma de V para ter vistas do sismômetro uma vez que ele não é mais ordenado a se mover da Terra. Isso deve acontecer até o fim de junho.

A partir de então, o sismômetro funcionará pelo menos intermitentemente por mais um período (sendo ligado e desligado de tempos em tempos), mas, segundo a equipe, tanto ele quanto outros instrumentos devem ser desligados até agosto. O “último off” deve ser acionado até dezembro, colocando um fim definitivo a essa missão histórica.

Seu legado, no entanto, permanece. Banerdt enfatizou que a equipe científica continuará ocupada por pelo menos mais seis meses em tarefas imediatas da missão, mesmo após o InSight concluir sua coleta de dados. “Estamos recebendo produtos de dados finais, como nosso catálogo final de terremotos em Marte e nossos modelos finais do planeta”, disse ele.

Segundo Banerdt, a equipe enviará suas últimas parcelas de dados para um arquivo público, onde essas informações permanecerão disponíveis para sempre, adicionando ao catálogo de dados de missões espaciais aposentadas, que podem ser revisitados para investigações futuras.

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