Pode parecer maluquice querer comparar o que acontece na direção de uma empresa com o surfe, um dos mais populares esportes da atualidade. A verdade, porém, é que um mundo dos negócios cada dia mais fluido e mutante requer dos gestores, e em especial dos gestores de tecnologia, as habilidades de um Gabriel Medina. As ondas do mar pedem jogo de cintura, disciplina e muito, muito foco. E os ensinamentos do surfe podem ajudar nos negócios e na vida.

O surfe chegou ao Brasil nos anos 1960, conquistou reconhecimento como contracultura e estilo de vida nos anos 70, cresceu espantosamente nos 80 e 90, ocupando nossos 7,5 mil quilômetros de costa, até atingir nos dias de hoje o nível de esporte olímpico. Os brasileiros estão entre os melhores do mundo na prática. O esporte exige doses enormes de disciplina, foco, perseverança e senso de oportunidade. Em proporções iguais ou maiores do que as mais desafiadoras modalidades.

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É preciso se posicionar perfeitamente na água, estar pronto para quando ondas vierem e, uma vez em pé na prancha, conseguir desfrutar delas ao máximo. Não há espaço para vacilos, arrependimentos e enrolação. Igualzinho a quando estamos com o timão de uma empresa ou de uma área de negócio nas mãos. O mar, traiçoeiro e imprevisível, pode ser facilmente comparado ao ambiente competitivo no qual a maior parte dos negócios está inserida. Quanto mais fortes as ondas, ou quanto mais interessantes os negócios potenciais, maiores serão as possibilidades e o desafio ao enfrentá-los. Tudo é muito rápido, a intuição conta mais do que a técnica e a teoria então… nem encontra espaço. É preciso ter nervos de aço e reflexos prontos. “Tomar risco e colocar para baixo”, como se costuma falar na linguagem do surfe.

No surfe e nos negócios podemos passar a vida em busca da onda perfeita ou do negócio perfeito. Curiosamente, o prazer a cada fechamento realizado ou onda surfada é diferente dos demais, parece ser único. Chega a ser engraçado, mas tendemos sempre a considerar o último como o melhor que já fizemos.

No mundo dos negócios o número de variáveis que podem influenciar é enorme e o gestor tem que estar preparado para lidar com o imprevisível e acertar. O mesmo acontece com o mar e o vento, que podem mudar – e mudam frequentemente. Há que se respeitar os tempos e a mãe natureza no surfe, afinal não é possível mudar o fluxo das ondas. Custamos muitas vezes a compreender e a aceitar o mesmo quando estamos no mundo do trabalho e, agindo assim, normalmente nos damos mal.

Tombos e novas tentativas fazem parte da essência do surfe e dos negócios. Finalmente, é preciso estar bem física e mentalmente para surfar e ter sucesso – no mar ou nas empresas.

Conta-se que o surfe nasceu na Polinésia e durante muito tempo foi considerado o esporte dos deuses. Por sua origem divina, somente os reis tinham o direito de ficar de pé. Os demais tinham que deslizar deitados sobre as ondas. Prática dos deuses ou dos reis, nota-se que tem a ver com coragem e liderança. E você, como vai surfar as ondas do mundo dos negócios: em pé ou deitado?

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