Nesta quarta-feira (22), moradores de cidades litorâneas do Pará foram surpreendidos com um forte clarão cortando o céu e deixando um grande rastro de fumaça

Enquanto muitas pessoas pensavam se tratar de um meteoro ou até mesmo de um míssil, pesquisadores da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) informaram que, na verdade, o rastro luminoso está relacionado ao lançamento de um foguete Ariane 5, da Arianespace, que aconteceu às 18h50 (pelo horário de Brasília), no espaçoporto europeu de Kouru, na Guiana Francesa.

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Na ocasião, o veículo carregava dois satélites para implantar na órbita baixa da Terra. Um deles, chamado MEASAT-3d, será operado pela empresa MEASAT, da Malásia. O outro, que pertence à estatal NewSpace India Limited, é denominado GSAT-24 e será gerenciado pela Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO). Os equipamentos serão utilizados para serviços de telecomunicações e transmissão de canais de TV por satélite.

Alguns registros do fenômeno foram compartilhados nas redes sociais. Abaixo, um vídeo feito na Ilha do Mosqueiro, de autoria desconhecida, compartilhado pelo jornalista Mauro Bonna, do Diário do Pará.

Já o vídeo seguinte, divulgado no Instagram do Castanhal Online, site de notícias do município paraense de mesmo nome, teria sido registrado em Vigia de Nazaré. No entanto, pesquisadores da BRAMON acreditam que foi gravado bem mais próximo do local de lançamento, provavelmente na própria Guiana Francesa.

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De acordo com Marcelo Zurita, colunista do Olhar Digital, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA) e diretor técnico da Bramon, essa desconfiança tem relação, principalmente, com dois fatores. 

Primeiro, porque a visualização da pluma do foguete está muito próxima para ter sido flagrada a mais de 830 km de distância. Além disso, podemos ouvir o estrondo gerado no lançamento, algo que seria impossível de se escutar tão nitidamente de tão longe.

“Outro detalhe é que essa pluma só se tornou visível a essa distância porque o lançamento ocorreu no final da tarde, logo após o pôr do Sol”, disse Zurita. “Essas condições permitem que a pluma seja iluminada pelo Sol enquanto o restante do céu já está escuro, dando essa aparência de ‘rastro de fogo’.”

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