Ciência e Espaço

Arqueólogos podem ter encontrado estátua de Hércules no fundo do mar

Por Rafael Arbulu, editado por Lucas Soares
01/07/22 10h22, atualizada em 01/07/22 11h35

A busca por artefatos de um navio naufragado no litoral da Grécia resultou em arqueólogos encontrando o que acreditam ser uma estátua do semideus Hércules, da mitologia grega, datada de mais ou menos 2 mil anos.

Segundo a mitologia, Hércules, filho de Zeus, o rei dos deuses do Olimpo, com uma mulher humana chamada Alcmena, teve que completar 12 trabalhos para o rei Euristeu, por ter assassinado sua esposa e filhos em uma fúria insana causada por um feitiço da deusa Hera.

A estátua de um homem de barba encontrada no fundo do Mar Egeu, na Grécia, pode representar Hércules, o lendário herói semidivino da mitologia grega (Imagem: Swiss School of Archaeology in Greece/Hellenic Ministry of Culture and Sports)

A estátua – na verdade, apenas a cabeça dela – estava no fundo do Mar Egeu, e foi descoberta durante um processo de escavação iniciado em 23 de maio e terminando em 15 de junho. Apesar de Hércules ser um herói da mitologia grega, a estátua é de origem romana (“Hercules” é a tradução do nome para os romanos, sendo que, em grego, o personagem era conhecido como “Heracles” ou “Herakles”).

De acordo com Lorenz E. Baumer, professor de arqueologia da Universidade de Genebra, as descobertas incluem partes de estátuas de mármore, alguns dentes de bronze e unhas de ferro, todos retirados dos destroços de Anticítera (Anthykera), um navio que afundou no litoral grego na segunda metade do século I d.C (“depois de Cristo”).

“Dois mil anos é um tempo muito longo, mas quando você pensa em gerações — gerações de 25 anos cada, para ser preciso — isso nos dá 80 gerações”, disse o professor. “É isso que é fascinante na arqueologia: você é colocado em contato direto com as pessoas”.

Cabeça de Hércules

O naufrágio em questão foi descoberto por acidente no início do século XX, por mergulhadores gregos. Desde então, a região tem oferecido grandes insights sobre vários aspectos da civilização romana antiga – um dispositivo muito famoso, a “Máquina de Anticítera”, tida por muitos como o “primeiro computador da história”, veio de lá.

Não que uma escavação no naufrágio seja fácil: todos os materiais estão escondidos sob rochas que pesam até oito toneladas, teoricamente posicionadas ali após um terremoto de grandes proporções ocorrido pouco tempo depois do naufrágio. Para contornar o problema, o time liderado por Baumer usou cordas fixadas a balões esvaziados. Posicionados sob as pedras, esses balões foram enchidos, tirando-as do lugar.

Imediatamente após moverem as rochas, os pesquisadores encontraram a estátua que supostamente representa Hércules: uma cabeça humana duas vezes maior que a proporção normal, mostrando um homem com barba e com tantos depósitos marinhos que, neste momento, a peça está passando por processo de limpeza para uma eventual restauração.

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A razão para a suspeita da identidade do “homenageado” pela estátua reside em uma alusão a outra peça: “Herakles de Anticítera” é uma estátua hoje presente no acervo do Museu Arqueológico Nacional de Atenas – sem a cabeça. E com materiais bastante parecidos com a cabeça encontrada no mar (o corpo da estátua, aliás, foi descoberto no mesmo naufrágio).

A descoberta também trouxe um benefício adicional: na descoberta do corpo da estátua, pesquisadores da época não fizeram o devido registro de local de onde eles a acharam, então muito das pesquisas atuais no naufrágio é feito por especulação geográfica. A posição da cabeça, no entanto, traz consigo um reconhecimento mais detalhado do layout de todo o parque.

Tais informações agora estão sendo usadas para a criação de um mapa em três dimensões da área, a fim de documentar como ela era antes da remoção dos artefatos, de acordo com Elisa Costa, estudante pós-doutorado da Universidade de Veneza, também parte da equipe.

“É muito empolgante fazer parte de um importante projeto de escavação que foi iniciado há 120 anos”, ela disse. “É realmente incrível”.

Todo o material dessa escavação deve render um estudo completo a ser publicado até 2025.

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