Ciência e Espaço

Jovem holandês promete limpar 80% do lixo do oceano até 2030

Por Flavia Correia, editado por André Lucena
01/07/22 13h35, atualizada em 01/07/22 15h18

Imagem: Mr.anaked - Shutterstock

Ao curtir uns dias de folga na praia, você já se incomodou com a quantidade de lixo nas areias e no mar? E, fora reclamar, o que fez em relação a isso? Um jovem holandês foi muito, muito além. 

Durante uma viagem de aventura para fazer mergulho submarino na Grécia aos 16 anos, Boyan Slat, hoje com 27, diz ter encontrado mais sacolas plásticas no mar do que peixes, experiência que o inspirou a criar um dispositivo capaz de recolher o lixo plástico do oceano. Em 2014, o primeiro protótipo lhe garantiu um prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU).

Boyan Slat, jovem holandês que fundou a ONG The Ocean Cleanup. Imagem: Divulgação/The Ocean Cleanup

Apenas reconhecimento não era o bastante para o jovem, no entanto. Com o apoio de investidores como a Coca-Cola e a banda britânica de rock alternativo Coldplay, ele fundou e mantém a The Ocean Cleanup, uma organização não-governamental (ONG) da qual é o atual CEO e que garante ter meios para remover 80% do plástico das águas mar até 2030, com expectativa de atingir 90% de abrangência até 2040. 

O jovem formalizou a promessa em uma carta enviada à coordenação da 2ª Conferência dos Oceanos da ONU, evento que aconteceu esta semana em Lisboa e que termina nesta sexta-feira (1º).

Como funcionam os sistemas propostos pelo jovem

De acordo com o G1, o principal sistema criado por Slat funciona como uma espécie de barragem móvel, que é conduzida por dois barcos. Esse coletor vai se enchendo de lixo conforme os veículos avançam a uma velocidade determinada e conforme o plástico vai se movendo por causa das correntes marítimas.

Lixo plástico coletado no oceano pelo sistema criado pela The Ocean Cleanup. Imagem: Divulgação/The Ocean Cleanup

Quando a rede fica cheia, ela é fechada, selada e recolhida por um dos barcos, onde é feito o descarregamento. Depois que os navios ficam cheios de plástico, eles levam o lixo até um centro de reciclagem no continente. Para determinar os pontos ideais para a limpeza, a ONG usa modelos matemáticos que preveem em quais locais o plástico tem mais propensão de se acumular.

Além do sistema de coleta direta no mar, os cientistas da entidade também desenvolveram um equipamento movido a energia solar para retirar o lixo dos rios antes mesmo que os detritos cheguem no oceano.

Equipamento da ONG The Ocean Cleanup em operação na foz de um rio na Jamaica. Imagem: Divulgação/The Ocean Cleanup

Atualmente, a ONG já tem dez desses equipamentos, chamados “interceptores”, funcionando em rios de diversas partes do mundo.

Slat conta que as primeiras operações de limpeza começaram em 2018, quando foi testado o equipamento System 001. Em seguida, em 2019, uma atualização do mesmo sistema fez sua primeira extração de plástico. Isso se deu em uma região conhecida como “Ilha de Lixo do Pacífico”. 

Localizada entre a costa do estado norte-americano da Califórnia e o Havaí, a ilha de lixo tem um tamanho 16 vezes maior do que o estimado, com 80 mil toneladas de lixo plástico compondo uma área de 1,6 milhão de km2.

Depois, o System 001 evoluiu para System 002. Também conhecida como Jenny, essa versão foi desenvolvida para realizar algumas operações de limpeza pontuais ao longo dos anos de 2021 e 2022.

Brasil está nos planos da ONG especializada em remoção de lixo plástico das águas

Para o futuro, a meta da ONG é chegar a 10 sistemas em operação na região do Oceano Pacífico que mais concentra lixo plástico e dobrar o número de equipamentos em funcionamento em rios a cada ano.

Os planos de expansão incluem o Brasil, um dos países que, segundo Slat, têm mais rios com potencial para a remoção do lixo plástico. “Certamente há muito trabalho para ser feito no Brasil, e nós adoraríamos trabalhar com empresas locais e governos para tentar levar os interceptores para os rios do país também”.

Ele diz que é um bom investimento para os governos. “Porque é muito mais caro limpar esse lixo na costa, depois que ele já afetou as praias e o turismo, do que simplesmente coletar enquanto ele ainda está nos rios”, explicou.

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Segundo os dados mais recentes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), estimativas apontam que o montante de plástico no oceano varia de 75 milhões a 199 milhões de toneladas, sendo que 89% disso têm origem em itens de uso único, como sacolas e embalagens.

Esse lixo afeta mais de 800 espécies marinhas e costeiras, tanto pelo risco de emaranhamento quanto pelas mudanças causadas no habitat. Por causa disso, as discussões da Conferência do Oceano da ONU giram em torno, principalmente, da redução do uso de plástico e na substituição desse material.

Uma das iniciativas é o Compromisso Global da Nova Economia do Plástico, que foi reconhecido por 22 novos países durante a reunião (17 deles na América Latina). Os novos signatários do acordo também contam com governos locais, como, no caso do Brasil, os dos estados de São Paulo, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Eles se unem a mais de 500 subscritores alinhados por uma visão comum sobre uma economia circular do plástico, por meio da qual os itens não se tornam resíduos ou sujeira. Isso é possível mudando a forma de produzir, usar e reutilizar os plásticos.

No documento, constam metas ambiciosas para eliminar, até 2025, os itens plásticos dos quais não precisamos. Para os plásticos dos quais necessitamos, o compromisso é de estabelecer diretrizes de reutilização, reciclagem ou compostagem e circular tudo o que usamos para que esses materiais se mantenham dentro da economia e fora do meio ambiente. Pelo acordo, anualmente, os signatários devem relatar o seu progresso.

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