Na segunda-feira (4), a astronomia comemorou um grande feito: há 25 anos, em 1997, a NASA pousou seu primeiro rover em Marte, que enviou imagens da superfície do planeta. Ao fazer isso, a agência montou seu primeiro laboratório de ciência veicular em outro mundo, capaz de visitar mais de um lugar durante seu trabalho.

Chamada de Pathfinder, a missão durou quase 10 meses, e a jornada de 83 dias de seu rover Sojourner abriu caminho para a frota de exploradores interplanetários de rodas que vieram a seguir — incluindo os dois robôs veiculares de solo ainda ativos em Marte: Curiosity e Perseverance.

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Segundo o site Inverse, foram necessários três anos para montar a espaçonave Pathfinder e planejar a missão. Em sua descida, ela foi atravessando a fina atmosfera marciana a sete quilômetros por segundo, pousando na superfície pedregosa em apenas cinco minutos. “Pathfinder foi, sem dúvida, o lander mais robusto que já enviamos a Marte. Os outros tinham ‘medo’ de rochas”, diz Matthew Golombek, cientista do projeto da missão.

Ele conta que a equipe acompanhou tudo atentamente enquanto a espaçonave executava mais de cem comandos até chegar à manobra mais importante de todas: o momento em que um sistema inteligente de airbags se abriria para amortecer o impacto de seu precioso hardware terráqueo enquanto ele pousava e levantava poeira marciana.

Segundo Golombek, a equipe de cientistas planetários da NASA imaginou que um veículo itinerante poderia ajudar a responder às principais perguntas que a missão antecessora, Viking, que pousou um veículo estacionário em Marte em 1976, levantou sobre a antiga história do planeta, quando ali poderia ter tido água.

Embora as imagens de reconhecimento da superfície de Marte disponíveis em 1997 fossem um emaranhado de borrões em comparação às vistas de alta resolução oferecidas por nossos satélites ao redor do planeta atualmente, a espaçonave, surpreendentemente, conseguiu pousar com sucesso.

Golombek lembra que a equipe de controle da missão explodiu de alegria e alívio. “Claro, todos estavam torcendo descontroladamente”, diz ele, lembrando-se do momento em que seguranças e pessoas de outras divisões do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA entraram na sala para ver as tão aguardadas fotos que vinham de Marte.

Imagens de satélites não transmitem a mesma sensação de uma vista do solo, o que oferece aos humanos um vislumbre de Marte do mesmo ponto de vista que vemos as coisas na Terra — da superfície.

Foto do rover Sojourner feita pela espaçonave Pathfinder assim que pousou em Marte, há 25 anos. Imagem: NASA

Foram empregados US$265 milhões (R$288 milhões, na cotação da época) no Pathfinder e em seu rover Sojourner. Ajustado pela inflação, isso é menos de um quinto do valor investido em cada um dos dois rovers mais recentes da NASA, o Curiosity e o Perseverance.

A missão Pathfinder é considerada pioneira porque os módulos de pouso anteriores, Vikings 1 e 2, não transitavam. Eles permaneceram estacionados durante suas missões de 5 e 2,8 anos, respectivamente. Isso tornou mais difícil estudar rochas interessantes, que Golombek diz serem o tesouro de qualquer geólogo. 

Por essa razão, Pathfinder foi um grande marco. “Foi o início de um Renascimento de Marte”, diz Golombek.

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Além das mais de 12 mil imagens da superfície do planeta, a missão fez diversas análises químicas do solo marciano, encontrando evidências que apoiaram as descobertas do Programa Viking de que pode ter fluído água na superfície de Marte. 

Agora, 25 anos depois, muitos outros exploradores robóticos já passaram por Marte e outros ainda estão por ali. “Temos uma pequena frota de orbitadores, três naves espaciais, dois rovers e um lander na superfície”, diz Golombek. “Quero dizer, temos uma pequena comunidade lá em cima”.

E nós, meros espectadores, temos a oportunidade de conhecer cada vez mais detalhes do nosso vizinho mais cobiçado – até o dia em que veremos seres humanos, finalmente, pisando no solo ferrugem de Marte.

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