A ex-funcionária do Facebook, Frances Haugen, que vazou documentos internos da rede social e denunciou a empresa por priorizar o lucro no lugar da segurança dos usuários, participou de uma audiência pública com a Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta terça-feira (5).  

A reunião foi feita junto com as deputadas federais Taliria Petrone (PSOL-RJ) e Natália Bonavides (PT-RN), e com a representante da coalisão Direitos na Rede, Bia Barbosa, e a coordenadora sênior de campanhas da Avaaz, Laura Moraes.  

publicidade

Leia também!

O intuito da audiência era debater o papel do Facebook na disseminação de informações falsas e redes de desinformação. Também foram convidados representantes da plataforma da Meta, mas eles não compareceram.  

Durante a sessão, Haugen falou sobre as novas normas de regulamentação das big techs na União Europeia. “Não devemos ter esperança de que só a Europa faça perguntas pertinentes. Nós devemos esperar que os brasileiros possam fazer suas próprias perguntas”, disse.  

Frances Haugen apontou que as ações do Facebook mostram uma falta de respeito pelo processo eleitoral brasileiro, como o fato de não responder perguntas simples, como quantos moderadores da plataforma trabalham em português.  

“O Brasil merece saber quanto esforço está sendo investido pelo Facebook em termos de moderação ou de segurança e até que nível de equidade existe na moderação entre conteúdos em português e conteúdos em inglês.” 

titulo eleitoral 2022

“A verdade é que o Facebook destruiu com sua estrutura de proteção às eleições. Antes o Facebook tinha 300 pessoas para cuidar de [moderação relacionada as] eleições. Agora, são só 60 pessoas.” 

Facebook e a internet brasileira 

A ex-funcionária relatou que acredita que o Facebook interferiu diretamente na noção de internet do brasileiro e é possível observar isso com algumas atitudes da empresa, como as parcerias para o fornecimento de infraestrutura e acordos com operadoras a fim de não cobrar pelo uso dos apps da Meta.  

“Eles não fizeram isso para ser benevolentes”, afirma. “O Facebook tomou decisões intencionais de vir até o Brasil e acabar com uma internet aberta. Isso mudou como o caminho orgânico da internet veio.” 

E o resultado dessas ações tornou o brasileiro dependente de ferramentas da Meta para se manter conectado e informado, o que pode ser perigoso para a população.  

Frances Haugen
Imagem: Divulgação CBS

Haugen aponta que o volume de conteúdo falso é pouco, quando comparado ao total. “Quando você vê o total volume de conteúdo tóxico nessas plataformas, normalmente é um número bastante pequeno, e concentrado nas mesmas pessoas. Não é como se fosse metade do conteúdo na plataforma”, explica.  

No entanto, a ex-funcionária diz que o Facebook poderia ir muito além na moderação de conteúdo, mas prefere não fazer pois acarretaria em uma perda de 2 a 3% do lucro. “Eles não querem perder os seus brinquedos. Eles não querem mudar o seu sistema porque dá lucros. E eles fazem dinheiro com os efeitos colaterais.” 

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!