Os casos de varíola dos macacos sobem a cada dia, levando a Organização Mundial de Saúde (OMS) a avaliar o agravamento do surto. A doença acaba levantando uma dúvida: pode a vacina da varíola humana ajudar a conter o problema? A resposta depende.

Primeiro, é preciso entender que, atualmente, existem duas vacinas contra a varíola humana. A primeira usa o vírus replicante, confeccionada a partir do vírus vaccinia e conhecida nos Estados Unidos, onde é amplamente usada, como ACAM2000. A outra usa o vírus não replicante, mas ainda assim vivo, chamada Jynneos, com produção limitada.

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De acordo com a médica infectologista Vera Magalhães, as duas vacinas são eficientes em 85% dos casos contra a varíola dos macacos estudada na África. Mas, a doença que está circulando atualmente é de uma cepa diferente da que é endêmica no continente africano.

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Assim, não há estudos mostrando que há proteção, então não dá para saber, com segurança absoluta, que elas protegem da nova cepa. Por funcionarem no vírus anterior, continuou a médica, ainda não foi confeccionada uma nova vacina direcionada para a varíola dos macacos.

Mas, é possível sim usar as vacinas contra a varíola humana em caso emergencial. “A vacina ACAM2000 pode gerar efeitos adversos e não pode ser aplicada em pessoas imunodeficientes, gestantes, pessoas com dermatite atópica ou outras doenças dermatológicas, em pessoas com cardiopatia. Tem essa restrição. Ela é extremamente eficiente e foi com ela que conseguimos erradicar a varíola humana”, explicou Magalhães, em entrevista ao Olhar Digital.

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A Jynneos, porém, é mais restrita, mas pode ser aplicada em pessoas com imunodeficiência, pois tem o vírus vivo não replicante. Por outro lado, ela não está recomendada amplamente contra a varíola dos macacos. O que pode ser feito é uma profilaxia pós exposição em grupos específicos.

“Habitantes da casa que têm alto risco de adoecer de forma grave da varíola dos macacos pode ser vacinada, o ideal que até quatro dias após o contato com a pessoa doente. Também está direcionada a pessoas que trabalham em laboratório com esse tipo de doença”, explicou a infectologista.

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Os primeiros sintomas começam a surgir de 10 a 14 dias após a infecção. Imagem: Irina Starikova3432 – Shutterstock

Dá ainda para aplicar a vacina até 14 dias após a exposição, sem impedir a infecção. Nesse caso, o imunizante vai diminuir a gravidade da doença. Porém, é bom reforçar: ela é recomendada apenas para esses grupos, não para a comunidade toda.

A doença segue sendo acompanhada de perto pela OMS, enquanto outras vacinas passam por testes. Para a médica, é preciso aprender com a nova cepa, pelas características diferentes da varíola dos macacos endêmica no continente importante. Por enquanto, é preciso manter as formas de prevenção.

Lave bem as mãos com água e sabão e higienize bancadas e equipamentos de uso comum. Mantenha relações sexuais com o uso de preservativos. Também é importante evitar o contato com animais doentes ou mortos que possam estar infectados.

Caso conviva com alguém que contraiu a doença, é preciso lavar pertences da pessoa infectada, como lençóis e roupas, além de não compartilhar, assim como utensílios domésticos. O lixo precisa ser descartado em local adequado e as feridas não devem ser tocadas diretamente. É bom ainda manter o ambiente arejado.

Os principais sintomas da varíola dos macacos são:  

  • febre; 
  • dor de cabeça; 
  • dor nas costas ou musculares;  
  • inflamações nos nódulos linfáticos; 
  • calafrios; 
  • exaustão; 
  • coceira que geralmente começa no rosto; 
  • lesões na pele.  

O período de incubação do vírus varia de sete a 21 dias, mas os sintomas começam a surgir entre 10 e 14 dias após a infecção. A transmissão é feita por meio de contato direto com animais ou pessoas contaminadas, além de objetos infectados. O tratamento da varíola dos macacos pode ser feito com antivirais e, caso não seja tratada, a doença pode levar a morte.

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