Em um novo estudo publicado na revista Nature, os pesquisadores realizaram experimentos de laboratório para ver como os anticorpos de indivíduos vacinados podem neutralizar as novas subvariantes BA.4 e BA.5 da Covid-19. Como resultado, foi observado que elas são pelo menos 4 vezes mais resistentes a anticorpos em pessoas que receberam imunizantes de RNA mensageiro (mRNA), em comparação com a subvariável BA.2.

De acordo com os autores do estudo, à medida que a linhagem Ômicron da SARS-CoV-2 continua a evoluir, é mais transmissível e mais evasiva aos anticorpos. Especialistas acreditam que essas subvariantes com uma alta taxa de transmissão provavelmente evoluíram da variante BA.2 Ômicron anteriormente dominante.

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A pior subvariante

Como uma de suas principais características, essas subvariantes carregam mutações em sua proteína spike, que é a parte do vírus que se liga aos receptores ACE2 nas células humanas, para assim poderem entrar nessas células. Diante desse poder de transmissão, Eric Topol, cardiologista e professor de medicina molecular da instituição americana Scripps Research, chamou especificamente a BA.5 de “a pior versão do vírus que já vimos”.

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Isso porque a subvariante “leva o escape imunológico, já extenso, para o próximo nível e, em função disso, maior transmissibilidade”, muito além das versões Ômicron que vieram antes dela. Em outras palavras, a BA.5 pode facilmente superar a imunidade de infecções e vacinas anteriores, aumentando o risco de reinfecção.

Covid continua sendo uma emergência internacional

Em um novo comunicado, o Comitê de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional (RSI) disse que a Covid-19 continua sendo uma Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional – seu nível mais alto de alerta, declarado pela primeira vez em 20 de janeiro de 2020. Isso em meio a casos crescentes, mutação viral em andamento e pressão cada vez maior nos sistemas de saúde já sobrecarregados.

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Os especialistas do comitê, vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS), destacaram os desafios de uma resposta global em andamento à pandemia. Incluindo uma queda nos testes e no sequenciamento irregular do genoma. De acordo com a OMS, as subvariantes BA.4 e BA.5 da Ômicron estão alimentando 30% dos casos globais nas últimas quinzenas.

Subvariantes nas Américas

Enquanto isso, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos relatou que as subvariantes BA.4 e BA.5 são as cepas dominantes da Covid-19 no país. Elas representam 80% dos casos agora, segundo a autoridade americana.

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O Dr. Clarence Buddy Creech II, mestre em saúde pública e diretor de um programa de pesquisa de vacinas na Vanderbilt University, no estado americano do Tennessee, diz ser possível que essas subvariantes “levem ao aumento das internações, principalmente entre os não vacinados, os imunossuprimidos e os de idade avançada”. Ele defende a vacinação, dizendo que, “enquanto vemos casos aumentando, vemos menos hospitalizações do que em outros momentos da pandemia, devido ao impacto da imunidade”.

BA.5 predominando

Por sua vez, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alertou que a subvariante BA.5 foi detectada em pelo menos 22 países e territórios de toda a América, sendo provável que ela se torne predominante. Para termos uma ideia, foram registradas 1.562.967 infecções pelo novo coronavírus e 4.789 mortes na semana passada, com crescimento de 54,9% só na América Central.

Na América do Sul, o crescimento foi de 2%, enquanto no Caribe, houve queda de 5,2% – havendo queda também na América do Norte, de 4,5%. Carissa Etienne, diretora da Opas, aponta que uma proporção cada vez maior de casos tem como origem as subvariantes da Ômicron BA.4 e BA.5 “e isso está gerando novas infecções em todo o continente”.

A subvariante BA.5 já foi detectada em pelo menos 22 países e territórios americanos, e é provável que se torne predominante em todas as sub-regiões do continente nas próximas semanas, estima a Opas. Conforme nota da organização, Etienne convocou os países a trabalharem juntos para atender à crescente demanda por vacinas, medicamentos e outros equipamentos médicos na região.

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Imagem: Viacheslav Lopatin/Shutterstock

Via CNN e Medical News Today