Dados coletados por balões meteorológicos do Spaceweather.com e do Earth to Sky Calculus, que medem a força dos raios cósmicos na atmosfera superior, apontam que os níveis de radiação na camada acima do estado norte-americano da Califórnia caíram mais de 15% em relação a 2021. Isso representa o índice mais baixo dos últimos seis anos.

Segundo o levantamento, houve uma queda repentina nos níveis de raios cósmicos a partir de outubro do ano passado, sendo que em 23 de julho deste ano, o número atingiu sua taxa mais baixa desde 2016.

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Balão meteorológico do Earth to Sky Calculus, que mede a incidência de raios cósmicos na atmosfera da Terra. Imagem: Earth to Sky Calculus

Raios cósmicos são partículas de alta energia viajando quase à velocidade da luz, tendo sido ejetadas de galáxias distantes e supernovas de milhões de anos atrás. Os cientistas explicam que essa tendência de diminuição nos níveis de raios cósmicos é esperada, conforme o ciclo solar evolui em direção ao seu próximo pico (máximo solar).

A atividade solar segue ciclos de 11 anos, sobre os quais a frequência de tempestades solares e outras ejeções varia significativamente. Durante o máximo solar, há uma grande constância, caindo para menos de um por semana durante o mínimo solar. O mínimo solar mais recente foi em dezembro de 2019.

“Os raios cósmicos do espaço profundo são repelidos pela atividade solar; quando um sobe, o outro desce”, explica um comunicado do Earth to Sky Calculus, um grupo de entusiastas da ciência do ensino médio da Califórnia.

Mike Hapgood, chefe do Grupo de Meio Ambiente Espacial do RAL Space, no Reino Unido, explicou que isso tudo tem a ver com a incidência dos ventos solares. “O que faz com que os fluxos de raios cósmicos mudem é o nível de irregularidades no vento solar, especificamente as irregularidades nos campos magnéticos que o vento solar leva para longe do Sol”, disse ele em entrevista ao Newsweek. “Essas estruturas magnéticas dispersam raios cósmicos vindos do meio interestelar, e se a dispersão aumentar, ela desviará mais raios cósmicos do sistema solar interior, incluindo a Terra”.

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À medida que os raios cósmicos entram na heliosfera — a parte do sistema solar que é dominada pelo campo magnético do Sol — eles são espalhados por irregularidades magnéticas no vento solar que flui para fora. Essencialmente, esse vento sopra os raios cósmicos, tornando mais difícil para eles alcançarem a Terra.

“As irregularidades são mais comuns no máximo solar porque [em primeiro lugar], os campos magnéticos no vento solar são mais fortes no máximo, e [em segundo lugar], são mais distorcidos pelas ejeções de massa coronal”, disse Hapgood.

Ejeções de massa coronal (CMEs) geralmente ocorrem nas áreas mais ativas da nossa estrela, quando linhas do campo magnético torcido no Sol subitamente se reconfiguram, fazendo com que sejam expelidas enormes plumas de plasma. 

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