Ele não para de nos surpreender! O Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, direcionou a mira para o caos da Galáxia Cartwheel, revelando novos detalhes sobre a formação de suas estrelas e de seu buraco negro central.

“O poderoso olhar infravermelho de Webb produziu esta imagem detalhada de Cartwheel e duas galáxias menores companheiras em um cenário de muitas outras galáxias”, diz um comunicado emitido pela agência espacial norte-americana nesta terça-feira (2).

publicidade
Imagem captada pelo Telescópio James Webb mostra, em detalhes sem precedentes, como a Galáxia Cartwheel mudou ao longo de bilhões de anos. Imagem: NASA, ESA, CSA, STScI

Segundo a nota, a imagem fornece uma nova visão de como a Galáxia Cartwheel mudou ao longo de bilhões de anos. Localizada a cerca de 500 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação do Escultor, ela é extremamente rara de se observar. 

Sua aparência, que se assemelha a uma roda de carroça, é resultado de um evento poderoso: uma colisão em alta velocidade entre uma grande galáxia espiral e uma galáxia menor não visível na imagem captada pelo Webb.

Colisões de proporções galácticas, segundo a NASA, causam uma cascata de diferentes pequenos eventos entre as galáxias envolvidas. Para Cartwheel, a colisão afetou mais notavelmente sua forma e sua estrutura. 

Essa galáxia ostenta dois anéis — um interno brilhante e um colorido ao redor. Esses anéis se expandem para fora a partir do centro da colisão, como ondulações em um lago depois que uma pedra é jogada nele. Por causa dessas características distintas, os astrônomos a chamam de “galáxia anular”, uma estrutura menos comum do que galáxias espirais da nossa Via Láctea.

Outros telescópios, incluindo o Hubble, já a examinaram anteriormente. No entanto, a galáxia dramática sempre foi envolta em mistério – talvez literalmente, tendo em vista a quantidade de poeira que obscurece a visibilidade. 

Com sua inigualável capacidade de detectar a luz infravermelha, Webb agora descobre novas percepções sobre a natureza da Galáxia Cartwheel.

A Near-Infrared Camera (NIRCam), sensor primário do observatório, olha na faixa quase infravermelha de 0,6 a 5 mícrons, sendo capaz de ver comprimentos de onda que podem revelar ainda mais estrelas do que o observado na luz visível. Isso ocorre porque as estrelas jovens, muitas das quais estão se formando no anel externo, são menos escondidas pela poeira quando observadas em luz infravermelha. 

Leia mais:

Enquanto os dados da NIRCam são coloridos em azul, laranja e amarelo, os dados do Mid-Infrared Instrument (MIRI) aparecem em vermelho. Segundo a NASA, os pontos azuis que aparecem nos redemoinhos vermelhos de poeira são estrelas individuais ou bolsões de formação estelar

“A NIRCam revela a diferença entre a distribuição suave ou a forma das populações de estrelas mais velhas e a poeira densa no núcleo em comparação com as formas desajeitadas associadas às populações de estrelas mais jovens fora dela”, observou a agência.

O MIRI, por sua vez, foi capaz de descobrir mais detalhes sobre a poeira da galáxia. Detectou regiões ricas em hidrocarbonetos e outros compostos químicos, juntamente com poeira silicato, que é semelhante a grande parte da poeira presente na Terra.

Essas regiões formam vários raios em espiral, anteriormente já vistos pelo Hubble, mas que são muito mais evidentes nas observações do JWST.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!