Pelo menos oito cidades do estado de SP, além da capital, tiveram registros de um intenso clarão no céu na madrugada desta quarta-feira (3). O fenômeno também foi visto em municípios do sul de Minas Gerais.

“Estamos fazendo a triangulação desse objeto. Nossa análise preliminar, ainda sujeita a refinamento, mostra que o objeto passou a mais ou menos 16 km/s, o que é perto de 60 mil km/h”, explicou o geógrafo e servidor público federal Sergio Mazzi, diretor presidente da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (BRAMON), em entrevista ao Olhar Digital. “Ele entrou a uma altitude de cerca de 107 km e explodiu quando estava perto de 70 km de altitude na atmosfera. Provavelmente, trata-se de um pequeno asteroide, com pouco mais de um metro e com origem na radiante 00691 ZCE Zeta Cetids. Mas, para dizer com certeza, vai depender de mais estudos”.

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Nosso colunista Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e diretor técnico da BRAMON explica o que é a triangulação mencionada por Mazzi. “Basicamente, o nome já dá uma boa pista sobre o processo. Quando temos um triângulo, se tivermos as definições e os ângulos de dois pontos, conseguimos determinar o terceiro. Então, como a gente conhece a localização e a direção em que o objeto foi visto em pelo menos duas câmeras, a gente consegue calcular o terceiro ponto. Na prática, é um cálculo trigonométrico simples”.

Moradores dos municípios de Aguaí, Hortolândia, Rio Claro, Amparo, Pedreira, Campinas, Sorocaba, São João da Boa Vista e São Paulo disseram ter testemunhado o evento, que repercutiu nas redes sociais – obviamente, sem faltarem piadas a respeito, como é de praxe.

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Mazzi explica o que pode ter ocasionado o clarão. “O objeto entrou na atmosfera e provocou uma onda de choque, que pode fragmentá-lo. O clarão visto nos vídeos vem dessa fragmentação”.

Agora, os especialistas estão tentando localizar onde os pedaços do objeto, que são chamados de meteoritos, podem ter caído. “A hipótese é de que possam ter atingido o solo na região de Campinas, já na divisa do estado de São Paulo com Minas Gerais”, disse Mazzi.

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