O Telescópio James Webb começou a divulgar seus primeiros dados há algumas semanas, mas a capacidade do equipamento de fazer registros extremamente profundos do universo vem impressionando os astrônomos. Dessa vez, um estudo publicado pelo Monthly Notices of the Royal Astronomical Society mostra mais uma galáxia candidata a ser a mais antiga já flagrada por nós.

É importante destacar que os dados do telescópio são analisados por pesquisadores de diversas instituições do mundo. Por conta disso, nas últimas semanas diversas galáxias surgiram com candidatas mais antigas já vistas. Lembrando que ainda são necessários mais estudos e verificações para que esses dados sejam confirmados.

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A descoberta da vez é a CEERS-93316, que se formou a apenas  250 milhões de anos após o Big Bang. A sigla  CEERS, aliás, significa “Cosmic Evolution Early Release Science Survey” (Pesquisa Científica de Liberação Antecipada da Evolução Cósmica em tradução livre) e foi criada justamente por conta dos registros do James Webb.

Galáxia CEERS-93316 flagrada pelo James Webb (Imagem: Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

Galáxia mais antiga já vista

“As últimas semanas foram surreais, vendo todos os recordes que permaneceram por muito tempo com o Hubble serem quebrados pelo JWST”, diz a Dra. Rebecca Bowler, da Ernest Rutherford na Universidade de Manchester e co-autora no estudo.

Filtros da galáxia CEERS-93316 flagrada pelo James Webb (Imagem: Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

“É incrível ter encontrado uma galáxia candidata tão distante já com Webb, dado que este é apenas o primeiro conjunto de dados”, completa Callum Donnan, Ph.D. estudante da Universidade de Edimburgo e principal autor da pesquisa. “É importante notar que para ter certeza do redshift, a galáxia precisará de observações de acompanhamento usando espectroscopia. É por isso que nos referimos a ela como uma galáxia candidata”, completou.

O flagrante também bateu recorde de redshift, com uma medição de z ~ 16,7 estudos anteriores haviam medido objetos de até redshifts z ~ 10. Para isso, era necessário combinar medições da Terra com o Telescópio Espacial Hubble e o Telescópio Espacial Spitzer. Agora, isso foi feito usando a  NIRCam (Near Infrared Camera),  um dos principais objetos do JWST. O Olhar Digital entrevistou o astrônomo brasileiro Christopher Willmer, que trabalhou no desenvolvimento da ferramenta. 

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“Depois do Big Bang, o Universo entrou em um período conhecido como idade das trevas , um tempo antes de qualquer estrela ter nascido”, explica o Dr. Bowler. “As observações desta galáxia levam as observações de volta ao tempo em que pensamos que as primeiras galáxias a existir estavam sendo formadas. Já encontramos mais galáxias no Universo primitivo do que as simulações de computador previram, então há claramente muito espaço aberto a perguntas sobre como e quando as primeiras estrelas e galáxias se formaram”, completa ainda.

“Em princípio, o JWST pode detectar galáxias com redshifts  superiores a 20, menos de 200 milhões de anos após o Big Bang”, explica Bowler. “Essas galáxias provavelmente serão extremamente difíceis de encontrar, mas a detecção do CERRS 93316 nos dá esperança de que elas possam existir. Cuidado com este espaço!”, finaliza.

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