Um estranho objeto que caiu recentemente em terras rurais na Austrália, e que levantou suspeitas de ser parte de uma espaçonave da SpaceX, teve sua origem descoberta por especialistas técnicos da Agência Espacial Australiana (ASA). O detrito, que foi encontrado partido em dois na manhã de sábado (30) na propriedade do criador de ovelhas Mick Miners, realmente pertence à empresa aeroespacial do bilionário Elon Musk.

Ao centro, o astrofísico Brad Tucker, entre o proprietário das terras onde os destroços da espaçonave da SpaceX foram encontrados, Mick Miners, e seu vizinho Jock Wallace, que foi quem acionou as autoridades australianas. Imagem: Brad Tucker via Twitter

A agência havia sido alertada por Brad Tucker, um astrofísico da Universidade Nacional Australiana, que foi o primeiro a relacionar que o tempo e a localização dos destroços coincidiram com uma cápsula SpaceX que reentrou na atmosfera da Terra às 7h de 9 de julho, um ano e oito meses meses após seu lançamento.

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“Confirmamos que os destroços são de uma missão da SpaceX e continuamos a nos envolver com nossos homólogos nos EUA, bem como com outras partes da comunidade e autoridades locais, conforme apropriado”, disse um porta-voz da ASA ao jornal The Guardian, que fez um alerta. “Se a comunidade avistar mais detritos suspeitos, eles não devem tentar manuseá-los ou recuperá-los. Eles devem entrar em contato com a linha de destroços da SpaceX no 1-866-623-0234 ou em recovery@spacex.com”.

Segundo Tucker, desde que a descoberta dos dois primeiros pedaços foi anunciada, uma terceira peça foi encontrada mais a oeste, perto de Jindabyne. “Esperamos mais notificações nas próximas semanas, meses ou até mesmo anos, agora que as pessoas sabem que a desintegração ocorreu na área”, disse o cientista, informando que a SpaceX ainda não disse se vai recolher os destroços.

Tucker acredita que, tendo em vista que não houve danos na queda desses detritos da SpaceX, provavelmente não serão envolvidos pagamentos intergovernamentais, ao contrário de quando um satélite nuclear soviético caiu no Canadá na década de 1980.

O astrofísico também explicou por que os destroços não criaram uma cratera quando atingiram o chão. Segundo ele, quando a espaçonave atingiu a atmosfera terrestre, acabou perdendo a maior parte de sua velocidade, porque toda a energia foi absorvida pela atmosfera, fazendo com que a cápsula se desintegrasse. “Como se você jogasse uma bola através de uma janela. Os cacos de vidro não necessariamente viajam na velocidade da bola. Eles viajam mais devagar por causa da transferência de energia”.

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Segundo Sara Webb, astrofísica da Universidade de Swinburne, também é possível que os destroços tenham ricocheteado para mais longe de onde tenham realmente caído. Ela cita como exemplo o Evento de Tunguska, reconhecidamente a maior queda de asteroide já presenciada pela humanidade na era moderna.

“Aquele foi um meteorito insanamente maciço que passou sobre a floresta siberiana. Pessoas de toda a Sibéria Oriental ouviram um estrondo enorme. Ele achatou milhares e milhares de árvores ao redor da área da explosão da onda de choque, mas a cratera de impacto real nunca foi localizada”.

O porta-voz da ASA disse que a agência está comprometida com a sustentabilidade a longo prazo das atividades espaciais externas, incluindo a mitigação de detritos, “e tem destacado isto no cenário internacional”.

Procurada para comentar sobre os detritos, a SpaceX não se manifestou publicamente.

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