O cenário mercadológico do Brasil não tem se mostrado muito animador ou com boas perspectivas para a grande maioria dos setores. O país conta com 12,4 milhões de pessoas desempregadas, segundo o último levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No entanto, o país tem um setor onde sobram vagas: o da tecnologia.

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), o país é o 10º maior mercado no setor de TI do mundo, e o líder na América Latina. Mais do que isso, o setor não só aparece como um dos destaques ao redor do mundo, mas convive com números animadores. Ainda segundo a ABES, em 2022, o setor deve ter um aumento de 14,3% nos investimentos em tecnologia da informação no Brasil.

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Além disso, anualmente, surge uma demanda de 70 mil profissionais na área, segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). Isso tudo representa um momento muito importante para o setor de tecnologia no país.

Se por um lado os números parecem bastante promissores, com muitas oportunidades a serem preenchidas, por outro, a realidade acaba apresentando alguns agravantes e deixa claro que o país deverá encontrar dificuldades na hora de selecionar profissionais aptos a ocupar essas funções. Não à toa, a projeção é de que o Brasil terá cerca de 532 mil vagas abertas no cenário tech até 2025, segundo a Brasscom.

Outra questão importante a ser apontada é a participação dos grupos minoritários na área. Uma pesquisa realizada pela Catho neste ano revelou que a presença feminina no setor aumentou 2,1 pontos percentuais se comparado a 2021, mas ainda pode melhorar muito. Enquanto os homens são responsáveis por 76% das vagas, as mulheres têm ocupado apenas 23% dos postos de trabalho em tecnologia. Isso sem contar a lacuna que existe na capacitação e contratação de pessoas trans, profissionais PCD e outros grupos socialmente excluídos, por exemplo.

Por isso, é responsabilidade de quem já está no mercado promover espaços e oportunidades de integração e networking de forma a evidenciar essas vagas de emprego e unir quem está em busca de colocação profissional a quem precisa recrutar pessoas capacitadas.

Os eventos e feiras, então, são uma ocasião propícia para explorar os variados aspectos do setor e as diferentes atuações que o mercado exige. Diversos campos e eixos de desenvolvimento podem ser percorridos numa carreira tech; Ataque, Defesa, Front End, Back End, Hardware, Cloud e Data Science, são alguns dos exemplos dentre as variadas possibilidades, e, por mais que algumas atuem quase de maneira interligada, cada uma delas exige conhecimentos próprios e específicos, muitas vezes adquiridos apenas por meio da prática e vivência dentro da função.

É daí que surge a necessidade de propor encontros e trocas de experiências entre quem já está na área e quem pretende seguir a profissão na tecnologia. Em ocasiões como essas, é possível que o candidato entenda de quem já é conceituado na área quais capacitações precisa desenvolver ou aprimorar para ter melhores chances no mercado de trabalho.

mão em cima do teclado com carteira de trabalho ao lado
Imagem: Shutterstock

Competências além da teoria

Além disso, os profissionais que pretendem atuar nesse setor precisam demonstrar competências que vão muito além das hard skills, habilidades relacionadas ao conhecimento técnico que o profissional possui. Eles precisam, também, das soft skills, habilidades que envolvem a capacidade de resolver problemas rapidamente, encontrar meios de adaptação a novas realidades com velocidade, apresentar alto raciocínio lógico e analítico, além de saber lidar com pressão e exigência de resultados. Essas são algumas das aptidões que extrapolam os limites técnicos, e que são requisitadas no mercado pelos contratantes.

Portanto, ter uma formação acadêmica não significa que a pessoa está totalmente apta, de acordo com a visão do mercado, para assumir uma dessas vagas. Nesse sentido, por mais que o diploma universitário seja considerado, ele é apenas uma das capacitações que o profissional pode adquirir ao longo de sua jornada, ainda mais quando muitos profissionais da área tech são autodidatas e possuem conhecimento tão elevado quanto.

A necessidade de transformação passa pelos dois lados: enquanto as empresas precisam se conectar com os interessados e ajudar a investir na preparação desses recém-formados, os candidatos precisam se manter em constante movimento, buscando novos conteúdos e complementando as suas competências de acordo com as exigências do mercado.

É importante ressaltar ainda que as seleções para vagas de tecnologia seguem um rumo diferente dos demais setores, uma vez que as marcas não podem apenas aguardar e escolher os profissionais que pretendem contratar. Por isso, a importância do investimento em employer branding, que vai além da divulgação de oportunidades em sites ou plataformas de emprego, mas a participação ativa junto da comunidade tech.

Os festivais e eventos são janelas aos participantes, que encontram, ali, o potencial de compartilhar suas qualificações com as empresas. As corporações, por sua vez, têm chance de mostrar, nesses locais, seu posicionamento enquanto marca empregadora. São em oportunidades como essa que as companhias podem divulgar aos candidatos sobre as vagas que oferecem, seu ambiente de trabalho, e a possibilidade de construção de carreira dentre outros aspectos que fornecem ao profissional insumos para decidir de forma mais assertiva o curso da sua própria carreira ou seus próximos desafios.

Anderson Ramos é CEO da Flipside e idealizador do Roadsec, maior festival hacker da América Latina.

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