No início da semana, a NASA revelou que o rover Perseverance coletou a 11ª amostra de solo marciano. E tudo indica que seu trabalho está cada vez mais intenso, já que, apenas dois dias depois, ele fez sua 12ª coleta de rocha em Marte.

“Chame-as de ‘dúzia empoeirada’. Agora tenho 12 amostras de núcleo de rocha a bordo, coletadas em diferentes locais ao redor da Cratera Jezero”, diz uma postagem no Twitter oficial do “Percy”, como é carinhosamente chamado o rover pela sua equipe técnica.

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Segundo um comunicado da NASA, a coleta e selagem foram realizadas na quarta-feira (3), representando mais uma etapa de sucesso na missão que está à caça de informações sobre a geologia local e a possível existência de vida microscópica em algum momento da história do planeta, entre outras tarefas.

Ainda de acordo com o comunicado, as primeiras oito amostras — coletadas entre setembro de 2021 e março deste ano — são de origem vulcânica. As quatro mais recentes, que foram coletadas nos últimos 30 dias, vêm todas de rochas sedimentares.

Essa mudança está relacionada à área que o rover está explorando atualmente, um delta antigo de rio da Cratera Jazero, que ele alcançou em abril. Desde então, o veículo explorador do tamanho de um carro de passeio vem examinando formações rochosas em camadas que se acumularam ao longo do tempo.

De acordo com o site Space.com, a equipe informou que tais depósitos são mais propensos a abrigar compostos orgânicos e outros possíveis sinais de vida em Marte do que os vulcânicos. 

NASA reconfigura missão de retorno de amostras de Marte

Recentemente, a NASA anunciou que redesenhou a missão de retorno de amostras de Marte, tornando o Perseverance o principal rover de coleta de amostras e descartando planos anteriores de usar um veículo de busca da Agência Espacial Europeia (ESA). Como reforço da campanha, denominada Mars Sample Return (MSR), poderão ser utilizados dois novos helicópteros, parecidos com o drone autônomo Ingenuity.

Segundo a nova configuração da missão, o rover Perseverance, que ainda deverá estar ativo quando um módulo de pouso MSR chegar ao Planeta Vermelho em 2031, será encarregado de conduzir as amostras para um veículo de ascensão. Os dois mini helicópteros serão, portanto, opções de backup.

As semelhanças com o helicóptero Ingenuity se limitam ao tamanho e peso, mas existem diferenças importantes, de acordo com o gerente da MSR na NASA, Richard Cook. “Haverá pernas de pouso que incluem, na parte inferior, rodas de mobilidade”, explicou, dizendo que essa nova capacidade permitirá que os veículos voadores “atravessem a superfície”. Um mini braço robótico em cada uma das espaçonaves permitirá que elas peguem os tubos de amostra que o rover Perseverance eventualmente deixar para trás.

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Se os helicópteros forem necessários para esse trabalho, eles pousarão perto de um tubo de amostra, rolarão para pegá-lo e voarão até um ponto perto do veículo de ascensão de Marte. As amostras serão coletadas pelo recém-anunciado braço robótico de transferência, construído pela ESA.

De acordo com o site Space.com, a decisão de reconfigurar a missão indica que nenhum rover europeu pousará em Marte em um futuro próximo. O novo conceito também pode permitir que a NASA e a ESA realizem o ambicioso esforço de retorno de amostras com menor custo e complicação.

“O engenheiro em mim ficou fascinado pelo rover de amostras, porque ele foi projetado para viajar muito mais rápido do que os rovers marcianos anteriores, provavelmente cerca de quatro ou cinco vezes mais rápido sobre a superfície”, disse David Parker, diretor da exploração humana e robótica da ESA. Adicionar o rover, no entanto, implicaria um segundo lançamento, segundo lander e assim por diante, então, remover o hardware do programa faz muito sentido”.

No entanto, isso não quer dizer que a ESA abandonou os planos de pousar, assim que possível, seu próprio rover em Marte. A agência ainda pretende colocar em funcionamento o robô caçador de vida Rosalind Franklin. 

Esse rover deveria ter sido lançado este ano em um foguete russo, mas os planos precisaram ser abortados depois que a Rússia invadiu a Ucrânia. “A equipe de engenharia tem trabalhado em grande velocidade para encontrar uma abordagem alternativa para entregar o rover Rosalind Franklin a Marte”, declarou Parker sobre a situação, afirmando que diferentes opções estão em discussão. “Em novembro, uma reunião especial do Conselho Europeu permitirá que os Estados-membros decidam o melhor caminho a seguir”.

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