Construída e mantida por um consórcio de 15 países, entre os quais os EUA e a Rússia são os membros mais importantes, a Estação Espacial Internacional (ISS) começou a ser montada em órbita em 1998 e foi oficialmente concluída em 8 de junho de 2011. Desde o ano 2000, ela é continuamente ocupada por astronautas, que se revezam em pequenos grupos para passar, em média, seis meses trabalhando e conduzindo experimentos científicos no laboratório orbital.

Há 22 anos, a Estação Espacial Internacional é ocupada por astronautas, que, desde 2010, contam com um sistema de acesso à internet. Imagem: NASA

O tempo recorde de permanência pertence ao norte-americano Mark Vande Hei e ao russo Pyotr Dubrov, que passaram 355 dias por lá. Você já imaginou ficar tanto tempo assim longe da família e dos amigos, sem nenhum tipo de comunicação com eles? Seria terrível, não?

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Para alívio daqueles que são escalados para viver essa experiência, desde 2010 a ISS conta com um sistema de conexão que permite acesso pessoal à internet. Isso foi pensado com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de quem está confinado na estrutura, que fica a 408 km de altitude.

O cosmonauta russo Sergey Ryazanskiy, engenheiro de voo da Expedição 37, usando seu computador para acessar a internet na Estação Espacial internacional, em 2013. Imagem: NASA

São utilizadas as mesmas conexões de telemetria usadas para o contato e troca de dados entre a tripulação e os centros de controle na Terra, por meio de sinais de satélite.

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Ao clicar em um link, por exemplo, o comando é enviado para uma rede de satélites que orbitam a Terra a mais de 35 mil km de altitude, próximos dos chamados satélites geoestacionários (que ficam parados acima de um ponto fixo do planeta).

Esses satélites se conectam a uma rede de servidores em solo — a Deep Space Network — com instalações no estado norte-americano da Califórnia, em Madrid (Espanha) e em Canberra (Austrália), que, por sua vez, se comunicam com o Centro Espacial Johnson, em Houston (EUA). Lá, um computador faz a interface entre a estação espacial, os satélites, os receptores e instalações da NASA e a internet em si.

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Somando suas duas expedições à ISS, em 2006 e 2012, a astronauta Sunita Williams passou 300 dias no laboratório orbital, tendo acesso à internet pessoal em sua segunda visita. Imagem: NASA

Embora a conexão entre o laboratório em órbita e a Deep Space Network seja extremamente rápida (600 Mbps, tanto para download quanto para upload), existem alguns percalços: a distância que o sinal percorre na ida e na volta da estação para a superfície e a necessidade de, na Terra, fazer uso de um computador como interface para acesso ao conteúdo da internet. 

Como resultado, há uma alta latência (o tempo de resposta da conexão): entre 500 e 700 milissegundos (ms), uma taxa muito superior aos cerca de 10 ms obtidos em uma conexão de banda larga na Terra.

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De acordo com Clayton Anderson, astronauta que esteve na estação espacial em duas oportunidades (seis meses em 2007 e duas semanas em 2010), a sensação é a de usar uma internet discada.

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Por se tratar de uma rede de trabalho, embora os astronautas possam fazer uso pessoal, o acesso é limitado. Eles podem usar seus notebooks e tablets para navegar e até fazer videoconferência com família e amigos, mas por períodos determinados.

Como a estação se comunica com as instalações em Terra por meio de um link dedicado, a conexão é contínua, portanto, sem interferência de outros sinais. Além disso, as antenas de recepção da Deep Space Network estão localizadas de maneira estratégica para manter um contato constante com os satélites que se comunicam com a estação.

Fontes: Vanderlei Cunha Parro, professor de Engenharia Elétrica do Instituto Mauá de Tecnologia, e Cássio Barbosa, professor do departamento de Física da FEI, consultados pelo portal UOL.

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