Pouco mais de dois meses após revelarem os nomes dos astronautas que farão parte do primeiro Teste de Voo Tripulado (CFT, na sigla em inglês) da cápsula Starliner, a NASA e a Boeing anunciaram que a missão, aguardada para dezembro, foi adiada para 2023.

Barry “Butch” Wilmore, Sunita Williams e Mike Fincke serão os tripulantes da missão CFT da Boeing Starliner para a NASA com destino à Estação Espacial Internacional (ISS). Imagem: Divulgação NASA/Boeing – via Twitter

Segundo um comunicado emitido na quinta-feira (25) pela agência espacial norte-americana e pela empresa de desenvolvimento aeroespacial, os técnicos precisam de mais tempo para resolver algumas questões identificadas no Teste de Voo Orbital 2 (OFT-2), uma missão não tripulada para a Estação Espacial Internacional (ISS) que a espaçonave fez em maio.

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Assim como a OFT-2, a missão CFT também será lançada a bordo um foguete Atlas V, da United Launch Alliance (ULA), a partir do Centro Espacial Kennedy, e os tripulantes vão percorrer o mesmo caminho até atracar no laboratório orbital para uma estadia de duas semanas.

Embora tenha sido considerada “perfeita” pela NASA, a operação mostrou algumas falhas na Starliner que precisam ser corrigidas antes de usar o veículo para levar astronautas à ISS pela primeira vez.

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Lançamento do Teste de Voo Orbital 2 (OFT-2) da Starliner pelo foguete Atlas V, da United Launch Alliance, em maio de 2022. Crédito: United Launch Alliance

“Atualmente, estamos mirando uma data de lançamento já em fevereiro de 2023”, disse Steve Stich, gerente do Programa de Tripulação Comercial da NASA, durante uma coletiva de imprensa.

Na mesma conferência, Mark Nappi, vice-presidente da Starliner e gerente do programa na Boeing, informou que as revisões pós-voo revelaram quatro questões principais que requerem correções ou trabalho adicional.

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Uma dessas questões envolveu o desligamento prematuro de dois propulsores de manobra orbital e controle de atitude (OMAC) da cápsula. “Os investigadores determinaram que o problema provavelmente resultou de uma incursão de detritos, cujo tipo ainda não está claro”, disse Nappi.

A Starliner também teve problemas com os propulsores do Sistema de Controle de Reação Menor (RCS) e nos módulos de serviço, bem como leituras anômalas de alta pressão em seu sistema de controle térmico. 

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Por fim, o Conjunto de Rastreamento de Sensores Eletro-ópticos baseado em Visão (VESTA) da Starliner, que serve para acoplar a cápsula na ISS, não se comportou exatamente como o esperado.

Segundo Nappi, a Boeing mapeou as correções para todos esses problemas e está confiante de que elas serão totalmente concluídas até o início de fevereiro.

Esse prazo, no entanto, leva em conta não apenas os reparos a serem feitos na espaçonave, mas também a agenda de lançamentos para a ISS programada para o fim deste ano e início do ano que vem. Três deles serão de voos tripulados: as missões Crew-6, da SpaceX, Ax-2, da Axiom Space, e Soyuz MS-22, da agência espacial russa, Roscosmos.

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Assim como a SpaceX, a Boeing tem um acordo bilionário com a NASA para transportar astronautas de e para a estação espacial. Enquanto a empresa de Elon Musk já está cumprindo o contrato, tendo lançado quatro missões operacionais tripuladas ao laboratório em órbita usando suas cápsulas Dragon e os foguetes Falcon 9, a Boeing ainda não iniciou os trabalhos.

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