Um fóssil encontrado em Montana, nos Estados Unidos, pertence a uma espécie de animal que se parece com um tipo de molusco que possui uma “língua com dentes” dentro de seu intestino. Segundo o artigo publicado na revista Biology Letters, a criatura estava em bom estado de conservação, algo que surpreendeu os pesquisadores.

A partir das observações iniciais, os cientistas acreditam que o fóssil pertence a uma espécie de Tifloesus, que viveu durante o período Carbonífero, entre 358,9 milhões e 289,9 milhões de anos atrás. Esse espécime não foi classificado em nenhum grupo de animais, por falta de mais detalhes dos fósseis.

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Em relação à criatura encontrada no intestino do fóssil, ela tem duas fileiras de dentes espinhosos, que configuram uma espécie de rádula. As rádulas são estruturas que animais, como os caracóis, usam para moer seus alimentos. De acordo com os autores do artigo, identificar o aparelho de alimentação desse animal ajuda a descobrir mais características a respeito do Tifloesus e possíveis interações com o ambiente e outros bichos.

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“Aqui, documentamos novos recursos, incluindo possíveis tecidos musculares fosfatados e um aparelho de alimentação até então desconhecido com dois conjuntos de cerca de 20 dentes espinhosos cujas semelhanças mais próximas parecem estar com a radula do molusco”, escreveram os autores no artigo.

Imagem: Fóssil do Tifloesus encontrado nos Estados Unidos. O quadrado pontilhado indica a rádula com dentes. Créditos: DR. SIMON CONWAY MORRIS / JEAN-BERNARD CARON / CARTAS DE BIOLOGIA / ROYAL SOCIETY

O mesmo mecanismo de alimentação é verificado em animais modernos, como as estrelas-do-mar e os pepinos marinhos. Devido à disposição desse possível molusco dentro da porção inicial do intestino, os pesquisadores acreditam que a rádula pode ter desempenhado alguma outra função, ainda não se sabe qual.

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Classe intermediária no filo dos moluscos

Por fim, com tantas características semelhantes a duas classes conhecidas dentro do filo dos moluscos, a ciência pode estar diante de uma classe convergentes entre os gastrópodes (a qual pertence a maior parte dos moluscos) e os heterópodes (cujos membros, por exemplo, são as lesmas marinhas).

Os cientistas admitem que ainda é muito cedo para definir uma classificação sólida para o Tifloesus na árvore evolutiva. A esperança de encontrar novos espécimes é baixa, devido à imensa quantidade de tempo decorrido entre a época nas quais esses animais viveram e os dias atuais. Segundo os autores do estudo, “pronunciamentos mais precisos de suas relações [evolutivas] são dificultados pelos aspectos únicos de sua morfologia e pela esparsidade de fósseis equivalentes de corpo mole em depósitos paleozoicos”.

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Via: Newsweek

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