A sonda da NASA, InSight, capturou, pela primeira vez, o som de meteoritos se chocando contra a superfície de Marte. A informação foi publicada no periódico Nature Geoscience nesta segunda-feira (19).

O aparelho sentiu as vibrações dos impactos entre 2019 e 2021, que foram os primeiros desde que o sismômetro pousou no Planeta Vermelho, em 2018.

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Os choques ocorreram entre 85 km e 290 km da localização da InSight (Elysium Planitia), sendo o primeiro deles tendo sido em 5 de setembro de 2021; um foguete que explodiu em pedaços e caiu violentamente em Marte. Ao menos três fragmentos colidiram contra a superfície do planeta, formando três crateras.

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Os cientistas, então, foram atrás de dados colhidos pela InSight antes desta colisão e descobriram que o sismômetro já havia sentido outros três impactos: Em 27 de maio de 2020 e 18 de fevereiro e 31 de agosto de 2021. Todos os choques foram de magnitude próxima de dois.

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Poucos impactos

Há uma certa “confusão” entre os cientistas acerca da pouca quantidade de colisões de meteoritos e outros objetos contra Marte, visto que o Planeta Vermelho se situa perto do principal cinturão de asteroides de nosso sistema solar e que tais asteroides passam sem problemas por sua atmosfera.

Todavia, há uma confiança geral de que a InSight não tem problemas, já que o equipamento detectou, em seus quatro anos de atuação, mais de 1,3 mil terremotos, além de ser sensível o suficiente para detectar ondas sísmicas a milhares de quilômetros de distância.

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A teoria mais aceita pelos pesquisadores por agora é de que a ausência de choques, ou de registros deles, se deu porque eles podem ser suprimidos pelo barulho do vento marciano, ou por mudanças temporais na atmosfera local.

Agora, os cientistas farão novas pesquisas nos dados da InSight para encontrar vestígios sísmicos de impactos de outras rochas espaciais. Qualquer achado pode ajudar os pesquisadores a estimar melhor a idade da superfície de Marte.

O método para detectar este dado se dá por meio da contagem de crateras causadas pelas colisões de meteoritos e demais corpos do sistema solar.

Crateras causadas pelos impactos detectados pela InSight (Imagem: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona)

“Impactos são os ‘relógios’ do sistema solar”, apontou Raphael Garcia, cientista planetário do Instituto Superior de Aeronáutica e Espaço na França e líder da pesquisa. “Precisamos saber a taxa de impacto hoje para estimar a idade das superfícies.”

Os pesquisadores podem, inclusive, ir além, unindo os dados da InSight com dados (coletados da órbita marciana) das ondas de choque criadas quando a rocha atingiu a atmosfera, para reconstruir a trajetória do objeto.

Para a tarefa, os cientistas receberam boa notícia. A poeira acumulada nos painéis solares do sismômetro está reduzindo o suprimento do equipamento, o que poderá forçá-lo a se desligar. Porém, as estimativas iniciais de que isso poderia acontecer no próximo verão estadunidense foram mudadas para outubro de 2022 e janeiro de 2023.

Imagem destacada: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona

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