Por Rodrigo Santos e Dan Garraway*

Se em 2020 a conectividade e todo seu arsenal de experimentações sensoriais/digitais marcavam as ordens de um consumidor isolado socialmente, em 2023 o encanto será outro. As marcas serão obrigadas a criarem estímulos diferentes para o cliente frente ao mundo híbrido.

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A experiência da compra, por exemplo, será ampliada para o streaming. A série assistida em plataformas de OTTs será a nova vitrine interativa para as marcas. A vontade de comprar a roupa da atriz principal ou a caneca do seu personagem preferido será possível com a popularização de vídeos interativos não lineares. Ao ser atraído por algum objeto em cena, o telespectador poderá interagir diretamente com a tela e comprar em apenas alguns cliques, finalizando a transação dentro da própria plataforma e sem atrapalhar a experiência total.

É um salto sensorial que cria experiências de visualização ativa e comprovadamente proporcionam 5 vezes mais engajamento. Os espectadores são menos propensos à distração e com maiores chances de memorização. Lembra do tempo que falávamos de marcas que emocionam? Então! Este tempo estará de volta em 2023!

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No próximo ano a interatividade por si só, aquela do simples toque, será uma comodity. O clique deverá ser um mecanismo inteligente, que amplie a camada sensorial do usuário. Ser disruptivo não é mais ter só chatbots, aplicativos e muito menos um site na internet.

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Todos estes canais tornam-se mandatórios para atender o cliente. Hoje elas sabem dos caminhos digitais recorridos para uma jornada de compra efetiva. A multicanalidade será vital neste aspecto e o consumidor será não linear.

Entretanto, o mercado ainda não está preparado para esta conversa. De acordo com dados do Relatório de Marketing de Vídeo do Estado de 2022, da Wyzowl, apenas 17% dos profissionais de marketing pretendem incluir vídeo interativo em suas estratégias de marketing. É um indicador dissonante se pensarmos que a pandemia elevou o nível de compreensão digital da população.

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Em julho deste ano, um relatório da Nielsen apontou que os espectadores americanos gastaram 34,8% do tempo exclusivamente em plataformas de streaming, o que equivale a mais de 190 bilhões de minutos. A participação é mais de 3% superior aos números de streaming de junho e representa um aumento de 22,6% em relação a julho de 2021. A leitura exata é de que há um oceano a ser explorado, que só cresce mês a mês.

Todo este cenário interativo favorece o Brasil, onde esse formato tem lugar cativo para um público que se identifica com novelas e realities shows. A herança da TV linear trará possibilidades para as marcas exporem seus produtos para diversas gerações. Principalmente para a audiência mais tradicional que ligava no CAT da emissora para perguntar a cor do esmalte da atriz. Essa maneira analógica fica no passado e o DNA da compra é renovado com a compra feita em sua tela própria. É vida em movimento!

Uma pesquisa realizada pela Demand Metric mostra que um conteúdo interativo gera conversões “moderadas” ou “muito boas” 70% das vezes, em comparação com apenas 36% para conteúdo passivo. Ou seja, é a tecnologia que mais se aproxima das novas configurações experimentais de compra, marcadas por sentimentos como acolhimento, encantamento e liberdade. A compra será um evento à parte. Um antídoto à ansiedade! A sobrecarga tecnológica deixará de existir.

A tecnologia de 2023 terá a dualidade de ampliar as sensações para encurtar barreiras de maneira mais fluída possível e em uma tela só. O consumidor quer poucos cliques e muita experiência para colocar em prática o seu poder. E isso começará daqui a pouco: em três meses, praticamente. Atento aos sinais e feliz 2023 para sua marca!

*Rodrigo Santos é vice-presidente de inovação na WebSIA

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