Entre os mais fascinantes componentes desse grande mistério que é o universo, estão as nebulosas. Frequentemente, nós divulgamos, aqui no Olhar Digital, notícias relacionadas a essas regiões do cosmos. Mas, o que, de fato, elas são?

Nebulosas nomes
A Nebulosa Carina, recheada de estrelas ainda jovens e em formação, foi um dos primeiros alvos científicos do Telescópio Espacial James Webb. Imagem: NASA/Divulgação

Basicamente, as nebulosas são grandes nuvens espalhadas pelo espaço interestelar (as áreas existentes entre as estrelas). Elas são formadas, sobretudo, de poeira cósmica e gases, como hidrogênio (aproximadamente 75%) e hélio (cerca de 25%). Durante muitos séculos, elas eram consideradas galáxias, até que a evolução dos estudos em astronomia conseguiu categorizá-las à parte.

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O que causa uma nebulosa?

Algumas delas nascem da explosão de estrelas massivas que se encontram no fim de seus ciclos de vida. Essa explosão, chamada de supernova, ejeta matéria estelar para todas as direções, dando origem a uma ou mais nebulosas, que podem apresentar diferentes formas e tamanhos.

Elas também podem surgir da simples aglutinação de átomos provocada pela ação da gravidade. Embora estejam “diluídos” no espaço, os átomos de hidrogênio e hélio eventualmente podem se atrair pela força gravitacional.

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Então, um núcleo formado por essas partículas, aos poucos, começa a atingir temperaturas e pressões altas o bastante para provocar fusões entre átomos. Essas fusões, por sua vez, emitem ondas eletromagnéticas capazes de excitar a massa de gás circundante, que passa a disparar radiação eletromagnética em comprimentos de ondas visíveis.

Esse processo acaba por formar novas estrelas, daí o conceito de que nebulosas são “berçários estelares”. 

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É ou não é mesmo fascinante – e poético – pensar que as nebulosas podem surgir da morte de uma estrela e, também, ser matrizes de outras? É como se pudessem servir de túmulo e útero – algo absolutamente incrível.

Quais os tipos de nebulosas?

A aparência das nebulosas é bastante variável, dependendo da temperatura, da densidade e de sua distribuição da matéria. Os principais tipos são:

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  • nebulosas de emissão;
  • nebulosas de reflexão;
  • nebulosas escuras;
  • nebulosas planetárias.

A seguir, vamos explicar cada uma em detalhes.

Nebulosas de emissão 

Nebulosas de emissão são grandes massas de gases excitados por temperaturas elevadas. Esse tipo, normalmente, tem um núcleo quente que emite radiação ultravioleta, responsável por agitar as porções mais frias de gás que, quando resfriadas, irradiam luz visível. Por serem compostas basicamente de hidrogênio, elas apresentam uma coloração avermelhada típica desse gás. Essas são as nebulosas mais visíveis do céu noturno.

Nebulosas de emissão
A Nebulosa Ômega, também conhecida como Nebulosa do Cisne, é uma região da constelação de Sagitário. Imagem: NASA / Divulgação

Um exemplo é a Nebulosa Ômega (ou Nebulosa do Cisne), que fica a quase 6 mil anos-luz de distância da Terra. Com um diâmetro médio de 15 anos-luz, ela abriga um aglomerado de 35 estrelas.

Nebulosas de reflexão

Diferentemente do tipo apresentado acima, as nebulosas de reflexão (também chamadas de difusas) não emitem quantidades significativas de luz visível, mas são reluzentes porque refletem o brilho das estrelas próximas. É comum que elas se formem nas proximidades de nebulosas de emissão. 

Na maioria das vezes, elas têm aparência azulada, em razão da dispersão da luz azul, mais facilmente refletida na poeira cósmica devido ao seu comprimento de onda. As nebulosas de reflexão mais intensas refletem o brilho de estrelas do tipo B, que embora sejam bastante luminosas, não são tão quentes quanto as estrelas do tipo O, capazes de ionizar o hidrogênio da nuvem.

Nelas, é comum encontrar traços de elementos mais pesados, como o carbono e o ferro.

Nebulosa de Órion
A nebulosa NGC-1999, que fica a 1,4 mil anos-luz de distância na Terra, na constelação de Órion, é uma nebulosa de reflexão. Imagem: Tragoolchitr Jittasaiyapan – Shutterstock

Localizada na constelação de Órion, a cerca de 1,4 mil anos-luz da Terra, NGC-1999 é considerada uma nebulosa de reflexão, que brilha a partir da luz da estrela variável V380 Orionis, de 3,5 massas solares.

Nebulosas escuras

As nebulosas escuras são nuvens opacas que não emitem radiação visível e não são iluminadas por estrelas, mas bloqueiam a luz de objetos luminosos atrás delas. Por essa razão, elas ficam bem evidentes quando aparecem em frente às de emissão ou alguma região rica em estrelas.

Assim como as nebulosas de emissão e de reflexão, as escuras são fontes de emissões infravermelhas, principalmente devido à presença de poeira em seu interior. Elas têm temperaturas que proporcionam a formação de moléculas de hidrogênio, dando origem a novas estrelas. Os observadores de céu noturno as veem como formas escuras irregulares.

Nebulosa escura
Uma imagem espetacular da Nebulosa Cabeça de Cavalo, exemplo de nebulosa escura. Créditos: Giuseppe Carmine Iaffaldano; Processamento: Roberto Colombari/NASA

Uma das mais famosas é a Nebulosa Cabeça de Cavalo, que também faz parte da constelação de Órion. Seu nome tem relação com seu formato característico que lembra um equino.

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Nebulosas planetárias

Outras nebulosas se encaixam no tipo planetárias, que envolve uma estrela de baixa massa entrando na fase final de sua vida. Nesse cenário, as estrelas entram em sua fase gigante vermelha. Essas estrelas não são massivas o suficiente para produzir supernovas, por isso, no fim de suas vidas, passam a fundir o elemento hélio em seu núcleo, dando origem aos átomos de carbono e oxigênio. Quando perdem material suficiente, sua temperatura se eleva, e a radiação UV emitida ioniza o material circundante que elas ejetaram.

Esse tipo exerce papel fundamental para o enriquecimento galáctico: sua ocorrência produz átomos mais pesados, essenciais para a formação de minerais e outras moléculas.

Nebulosas planetárias
Nebulosa do Anel, localizada a dois mil anos-luz da Terra. Crédtios: NASA, ESA, Hubble Legacy Archive; Composição: Giuseppe Donatiello

Nesta classe está contida a subclasse conhecida como nebulosa protoplanetária (PPN), que se aplica a objetos astronômicos que estão experimentando um episódio de curta duração na evolução de uma estrela. Esta é a fase rápida que ocorre entre o Ramo Gigante Assintótico Tardio (LAGB) e a fase seguinte da Nebulosa Planetária (PN).

Nebulosas mais bonitas
Esta imagem da Nebulosa do Olho do Gato foi feita combinando dados do Observatório-Chandra da NASA e do Telescópio Espacial Hubble. Créditos: Raio-X: NASA/UIUC/Y.Chu et al., Óptico: NASA/HST

São exemplos de nebulosas planetárias: a Nebulosa do Anel, localizada na constelação de Lyra (a dois mil anos-luz de distância da Terra), e a Nebulosa do Olho de Gato, que fica na constelação de Draco (a pouco mais de três mil anos-luz de nós).

Fontes: Mundo Educação e Universe Today

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