Em novembro acontece a Black Friday, evento muito esperado pelos varejistas, que é quando oferecem aos clientes as melhores ofertas do ano. Porém, os golpistas começam a agir muito antes. 

Ao mesmo tempo, a Black Friday também é um período em que as empresas de tecnologia apertam seus processos para proteger seus consumidores contra golpes.

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“Nesse período, há um comportamento atípico do consumidor, pois ele compra produtos que não estão dentro do padrão de compras que costuma realizar. Esse panorama acaba favorecendo o aparecimento de mais fraudes. Em marketplaces, por exemplo, aumenta o surgimento de lojas fantasmas, ao mesmo tempo que golpes de phishing por e-mail ou por links patrocinados também ocorrem para capturar dados dos consumidores”, explica Guilherme Bacellar, pesquisador de cibersegurança e fraudes da Unico.

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E não é só isso, os golpistas criam novos cartões de crédito por meio de contas laranjas, lojas virtuais fantasmas e sites falsos, e enviam e-mails e mensagens no WhatsApp com links maliciosos para fazer você se cadastrar. Todas essas atividades e muito mais crescem durante o período promocional, com o objetivo de roubar informações de milhares de consumidores.

Na Black Friday de 2021, o Unico Check, solução de verificação de identidade desenvolvida pela Unico, identificou mais de 13 mil cadastros e 148 mil golpes, o que simboliza aproximadamente R$ 52 milhões em prejuízos evitados para as companhias que são clientes. 

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A expectativa do mercado para a Black Friday deste ano é que as tentativas de golpes se intensifiquem.

“Pelo lado das instituições bancárias, principalmente das empresas de varejo, é um momento de alerta para prevenção de fraudes, mas também é um momento de vendas. Por isso, é importante ficar atento a alguns comportamentos que começam a surgir, como a emissão de cartão de crédito, solicitação de empréstimos ou crédito, trocas de senha do usuário. Precisamos entender que, hoje, a fraude acontece em duas pontas, com quem compra e quem vende. Os perfis falsos e contas falsas que vão atuar na Black Friday começaram a aparecer desde setembro, pelo menos, flertando aos poucos com o consumidor por meio das ofertas”, acrescenta Bacellar.

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Para os marketplaces, um dos grandes desafios é como controlar um vendedor e saber que ele é laranja, pois ele pode ser uma S.A., uma Ltda ou um CPF. “É nesse aspecto que a tecnologia precisa autenticar e garantir que esse vendedor seja legítimo. E a biometria facial é hoje uma das mais eficazes”, alerta Guilherme.

Black Friday como não cair na “Black Fraude”
Imagem: PopTika/Shutterstock

PIX

Quase dois anos depois de sua criação, o pagamento instantâneo já é o método mais usado no Brasil. De acordo com os últimos dados do Banco Central, as chaves ativas PIX ultrapassaram 478 milhões em julho de 2022, mais que o dobro da população brasileira. 

Além disso, o número de transações no mesmo mês atingiu 2 trilhões, movimentando mais de R$ 930 bilhões.

“Neste ano, o PIX vai permitir o surgimento de novas modalidades de fraudes ainda não utilizadas, aproveitando a velocidade que o dinheiro corre. Veremos fraudadores agindo nas duas pontas, acessando contas dos consumidores e, ao mesmo tempo, criando lojas”, afirma o pesquisador da Unico, Guilherme Bacellar.

O consumidor precisa ficar atento aos links que clica e também em lojas com número de vendas inferior a mil produtos. Podemos ver também muitos sites que “enganam consumidores gerando um erro de pagamento no cartão para oferecer o pagamento via PIX, por meio de QR Code. O consumidor pode cair e nunca ver a cor do produto”, comenta Bacellar.

Assim, o especialista dá algumas dicas de para não cair na “Black Fraude”, confira:

Consumidores

  • Desconfie de e-mails de ofertas de varejistas. Antes de clicar em links, vá até o site oficial ou aplicativo ver se a oferta é verdadeira;
  • Links patrocinados ou links de promoções via Whatsapp podem conter armadilhas. Prefira sempre acessar o site oficial;
  • Desconfie de promoções com preços muito abaixo do normal. Uma televisão de R$ 3 mil jamais será vendida por R$ 1 mil;
  • Não utilize senhas simples ou que tenham seu nomes ou datas, utilize um gerenciador de senhas para gerar opções mais seguras e guardá-las. É uma das maneiras de proteger seus dados.

Empresas

  • Tenha um controle mais rigoroso na abertura de contas e cadastro de novos vendedores;
  • Aposte na biometria facial para autenticar documentos e pessoas;
  • Se sua empresa trabalha com o sistema de “Clique e Retire”, utilize biometria facial para garantir a titularidade da compra e simplificar a jornada do seu cliente no momento da retirada da mercadoria;
  • O processo de troca de senha é muito utilizado durante este período, pois nem todos seus clientes lembrarão a senha que utilizaram em seu cadastro. Esse fluxo normalmente gera muita fricção (e-mail, código via sms ou mesmo central de atendimento) e a biometria facial pode ser uma alternativa mais simples e eficaz para que o usuário não desista da compra.

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