Um estudo publicado nesta terça-feira (15) na revista Human Reproduction Update, liderado pelo pesquisador israelense Hagai Levine, mostra que, num intervalo de 45 anos, a contagem de espermatozoides em homens de todo o mundo caiu em torno de 51%.

Segundo a pesquisa, a concentração de espermatozoides por mililitro de sêmen declinou de 101,2 milhões para 49 milhões. Mesmo estando dentro da faixa considerada normal pela Organização Mundial de Saúde (OMS), os resultados preocupam os cientistas, que apontam a urgência em ações para garantir a saúde reprodutiva masculina.

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Contagem de esperma em homens de todo o mundo tem caído ano após ano. Imagem: Christoph Burgstedt – Shutterstock

O novo estudo atualiza uma pesquisa de 2017 que considerou homens apenas da América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia e que já demonstra queda na concentração de espermatozoides. A nova pesquisa inclui dados da América Central e do Sul, da Ásia e da África. Com o acréscimo de dados de 57 mil homens, a conclusão é a mesma já obtida anteriormente, de que a contagem de espermas está em declínio.

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Fertilidade masculina em questão no século 21

A pesquisa usou dados de sêmens coletados entre os anos de 1973 e 2018 de 223 estudos originados em 53 países diferentes. Combinados com o estudo de 2017, os pesquisadores avaliaram a concentração de espermatozoides, contagem total e volume de sêmen para traçar o declínio.

Eles ainda ressaltaram que no século 21 essa queda está mais acelerada. De 1972 até o fim do século 20, a taxa anual de queda na contagem de esperma era de 1,62%. A partir da virada dos anos 2000, esse número foi para 2,46% ao ano.

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Esse fator não é o único ponto que põe em risco a fertilidade masculina, tendo ainda a velocidade de locomoção do espermatozoide, que não foi medida no estudo. Sarah Martins da Silva, especialista da Universidade de Dundee e que não esteve envolvida na pesquisa, disse, em entrevista ao site Science Alert, que acredita que esses problemas podem estar associados ao estilo de vida adotado pelos homens. “A exposição à poluição, plásticos, tabagismo, drogas e medicamentos prescritos, bem como estilo de vida, como obesidade e má alimentação, foram todos sugeridos como fatores contribuintes, embora os efeitos sejam pouco compreendidos e mal definidos”, destaca Silva.

Apesar de críticas ao estudo, principalmente em razão da forma e da tecnologia usadas para fazer a contagem no passado, pesquisadores como ela acreditam que os dados são consistentes, preocupantes e difíceis de ser ignorados. 

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