O credor de criptomoedas BlockFi entrou com pedido de falência. A mudança ocorre pouco mais de duas semanas depois que a BlockFi suspendeu todas as atividades da plataforma, incluindo saques, após a implosão da exchange cripto FTX.

“Dada a falta de clareza sobre o status da FTX.com, FTX US e Alameda, não podemos operar os negócios como de costume”, disse a empresa em um FAQ. As retiradas continuam pausadas.

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“Os casos do capítulo 11 [equivalente à recuperação judicial no Brasil] da BlockFi permitirão que a BlockFi estabilize seus negócios e forneçam à BlockFi a oportunidade de consumar uma reorganização que maximize o valor para todas as partes interessadas”, disse a BlockFi. “O processo de reestruturação judicial é transparente e incentiva o diálogo entre todas as partes interessadas.”

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Assim como muitos outros players do setor, a BlockFi enfrentou um futuro incerto depois que várias empresas de criptomoedas desmoronaram, derrubando os preços de muitas criptomoedas com elas.

Logo depois, a FTX concordou em sustentar a BlockFi com linha de crédito de US$ 400 milhões. O acordo também deu à FTX a opção de comprar a BlockFi por até US$ 240 milhões.

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Como observa o The New York Times, isso significava que as empresas tinham laços financeiros estreitos e que o colapso da FTX em falência teve efeito indireto na BlockFi.

“Com o colapso da FTX, a equipe de gerenciamento e o conselho de administração da BlockFi imediatamente tomaram medidas para proteger os clientes e a empresa”, disse Mark Renzi, do Berkeley Research Group, consultor financeiro da BlockFi, em comunicado. “Desde o início, a BlockFi trabalhou para moldar positivamente a indústria de criptomoedas e avançar no setor. A BlockFi espera um processo transparente que alcance o melhor resultado para todos os clientes e outras partes interessadas.”

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A BlockFi diz que, como parte de sua reestruturação, “focará na recuperação de todas as obrigações devidas à BlockFi por suas contrapartes, incluindo FTX e entidades corporativas associadas”.

No entanto, observou que as recuperações da FTX provavelmente serão adiadas, dado o processo de falência da empresa. Além disso, a BlockFi diz que tem US$ 256,9 milhões em caixa, o que deve fornecer “liquidez suficiente para apoiar certas operações durante o processo de reestruturação”, como pagamento de salários de funcionários e benefícios contínuos.

Em um processo judicial, a BlockFi estimou que tinha mais de 100 mil credores e passivos consolidados entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões. Entre os credores listados estão a FTX (à qual deve US$ 275 milhões em pagamentos de empréstimos) e a SEC (similar à CVM no Brasil), à qual deve US$ 30 milhões.

No início deste ano, a BlockFi concordou em pagar US$ 100 milhões para liquidar as cobranças da SEC e de 32 estados. A SEC alegou que a BlockFi oferecia contas de juros sem registrá-las sob a Lei de Valores Mobiliários. A agência também descobriu que a empresa fez alegações “falsas e enganosas” relacionadas ao nível de risco em sua atividade de empréstimo e carteira de empréstimos.

O pedido de proteção contra falência não significa inerentemente que uma empresa está acabada. Assim como no Brasil, o processo permite que uma empresa em dificuldades continue negociando enquanto se reestrutura e procura maneiras de pagar os credores.

Via Engadget

Imagem destacada: Formatoriginal/Shutterstock

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