Testes clínicos são de extrema importância quando um remédio é desenvolvido. O problema é o custo deste procedimento e a dificuldade de se achar pessoas qualificadas para essa fase, por isso esta etapa pode durar até sete anos e custar, em média, cerca de US$ 19 milhões. Como forma de resolver o problema, uma startup chamada Unlearn pretende criar uma máquina que é uma inteligência artificial para criar os “gêmeos digitais” dos participantes. 

Pode não parecer, mas achar pessoas que se enquadrem nas características físicas da doença e de um determinado público-alvo é um grande desafio. Principalmente quando os medicamentos atingem estudos críticos do nível 3, que podem exigir centenas ou milhares de testes de uma mesma droga. O procedimento é feito comparando um tratamento experimental com um tratamento atual, ou com placebo, se não houver terapia padrão aprovada ou disponível.

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Os pacientes são divididos em dois grupos, os que tomam o remédio em teste e os que tomam placebo. Assim, o resultado é uma comparação entre as duas respostas. Na maioria das vezes, as pessoas que se inscrevem para este tipo de procedimento estão em fase terminal. Do lado ético há a responsabilidade de inscrever estes participantes em estudos e apenas lhe dar o tratamento já disponível, a fim de evitar aborrecimentos no futuro. 

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A ideia da Unlearn é criar uma simulação de software de algum sistema de mundo real, usada para prever como ele poderia dar algum problema e como se comporta ao longo dos anos. “As pessoas no setor de saúde acham que esse é um conceito da área de saúde, só porque contém a palavra gêmeo”, diz o CEO e fundador da Unlearn.ai, Charles Fisher.

Imagem: shutterstock/peterschreiber.media

Os gêmeos da Unlearn vão trazer dados históricos, do mundo real, sobre uma determinada doença e como ela progride atualmente. Depois tudo isso é colocado em um computador e criado simulações do que pode ocorrer com o paciente no futuro. Assim, se a pessoa receber o tratamento pela droga, o seu gêmeo digital será executado para saber o que teria acontecido com ele se não tivesse tomado o remédio.

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Esta tecnologia está focada, atualmente, na doença do Alzheimer. Em 2019 foi publicado um artigo na revista “Nature Scientific Reports”, sobre gêmeos digitais que geraram – ao longo de 18 meses – dados sintéticos e detalhados sobre a progressão da doença. Este resultado era estatisticamente indiscutível comparado com dados reais.  

Imagem: Barabasa – Shutterstock

Os novos modelos de gêmeos digitais serão validados por meio de um projeto híbrido de testes. Os participantes serão randomizados em um grupo de tratamento e um grupo de controle, porém, eles poderão ser reduzidos a um terço. 

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