É impossível prever o futuro, mas podemos ter um prenúncio sob a ótica do passado.

Revendo algumas matérias que escrevi, comecei a encarar as próximas páginas dessa história como algo mais dinâmico. Previsões tecnológicas e de mercado são chutes que podem ser assertivos ou não, e projetar os passos da área em 2023 pode ser mais divertido do que parece.

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Inteligência Artificial será a tecnologia do ano

A IA generativa, é uma das coisas mais empolgantes do momento. A explosão de aplicativos como Dall-E, Stable Diffusion e Midjourney não foi brincadeira em 2022. Esse modelo de inteligência artificial está em um ponto de inflexão, sustentando uma explosão cambriana em inovação, e devemos ter uma sequência deste acontecimento nos próximos anos, com a IA generativa, desta vez atuando como catalisadora.

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Há pessoas falando em “Bolha da IA”, ou a próxima grande novidade. Eu diria que há empolgação agora. Por um lado, justificada, por outro, provavelmente irracional, prematura ou ambos. Mas quando você olha com sobriedade e atenção para o que está acontecendo, não há dúvida de que estamos no limiar de uma nova e empolgante era da tecnologia. Portanto, ainda é cedo para dizer se é de fato uma bolha.

Fato é que a inteligência artificial vai entrar na agenda dos CEOS das grandes organizações de vez e o investimento nessa tecnologia deve aumentar significativamente nas empresas.
Um influxo de capital e atenção em 2023 vai acelerar o crescimento da categoria.

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Redes e computação quântica surgem fortalecidas

As redes quânticas transmitem e compartilham informações digitais como as redes clássicas, mas usam qubits – unidades de informação com qualidades quânticas e propriedades diferentes -, portanto têm um potencial muito maior. Devido à sua complexidade, as redes quânticas ainda não existem integralmente, mas isso está começando a mudar e deve acelerar em 2023 à medida que os cientistas constroem e testam protótipos de sistemas. Seu primeiro caso de uso provavelmente será em comunicações invioláveis para segurança de TI, bancos, medicina e outros. Por outro lado, casos de uso de redes quânticas, como distribuição de chaves, já estão ajudando a proteger as transmissões de dados em distâncias curtas.

Mas o que deve acontecer em 2023?

  1. Surgimento da comercialização da computação quântica (clientes reais, receita real, produtos reais).
  2. Aplicações de otimização híbrida quântica começam a entrar em produção.
  3. Aumento significativo do envolvimento do governo na computação quântica por meio de investimentos, bem como por meio de mecanismos de proteção nacional – em Israel, isso já vem acontecendo.
  4. Veremos mais casos de uso da Prova de Conceito da Computação Quântica em diferentes áreas da atividade humana.
  5. Surgirão projetos pilotos e implementações na produção de Computação Quântica ou algoritmos de inspiração quântica nas indústrias, nomeadamente em determinadas aplicações de otimização à logística de carga aérea e marítima.

Cripto e Web3 se recuperam de forma lenta, mas gradual

2022 foi um ano duro, uma “era glacial” no mundo das criptomoedas. Contudo, mesmo em um cenário onde tivemos diversas baixas, de empresas que quebraram e tokens que foram a zero, tivemos aumento na adoção de cripto e no mundo dos NFTS.

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Alguns cenários possíveis em 2023:

  1. Bitcoin se recupera de forma lenta, começando a descolar novamente dos índices econômicos dos USA e fecha o ano na faixa de 35-40k USD;
  2. As chamadas “Blockchain de segunda camada” da Ethereum – como a Polygon – continuarão a ter crescimento e adoção constantes ao longo de 2023. O fator de escala da Ethereum passará de 2x para 5x;
  3. O NFT deixa de ser visto apenas como hype ou como artes de PFP (“profile pictures”, como Criptopunks/ Bored Apes) e o ecossistema de identidade baseado em NFT (ENS, POAP, Soulbound Tokens) verá sua próxima onda de grandes atividades;
  4. O Reddit silenciosamente se tornou um grande player do mundo cripto, um dos pioneiros na transição da Web2 para Web3, e a Apple continua a guerra contra as criptomoedas enquanto constrói silenciosamente uma equipe para descobrir como eles podem monetizá-la na App Store;
  5. As CBDCs são lançadas, mas não devem ir a lugar nenhum, a menos que os governos as vinculem coercitivamente a serviços de pagamentos essenciais, como impostos.
  6. No Twitter, a situação piora. Os defensores de Elon em cripto se distanciam e o Crypto Twitter ainda não se move para redes sociais descentralizadas. Big Techs voltam a lucrar significativamente.

    As demissões são ruins para o modal e piores para aqueles que são demitidos, mas, em contrapartida, são boas para os negócios. O trabalhador médio de tecnologia custou ao empregador pelo menos 100 mil em salário, e com benefícios em 2022 alcançou os 150 mil. Substancialmente, quanto menos colaboradores mais lucro por ação. Google e Meta, com margens operacionais de 30%, podem demitir 25 mil pessoas cada ou aumentar sua receita em US$ 12,5 bilhões e registrar o mesmo lucro operacional. Eles e centenas de outras empresas de tecnologia já demonstraram que estão indo pelo primeiro caminho.

    Em resumo, as demissões que deram o que falar em 2022 devem refletir em resultados financeiros positivos em 2023

Tiktokização das coisas e a ByteDance atingindo US$ 1 trilhão em valor

Existem duas forças sugando o oxigênio do ecossistema publicitário: Apple e TikTok. A Apple já é uma empresa multibilionária e o TikTok está no caminho. Em sua avaliação atual de US$ 300 bilhões, a controladora da TikTok, ByteDance, vale mais do que a Disney, Snap, Pinterest, Twitter, IPG, WPP e o Omnicom Group juntos.

A empresa chinesa levou apenas cinco anos para atingir um bilhão de usuários — três anos a menos que o Instagram e quatro anos a menos que o Facebook — que, hoje, passam em média 100 minutos ao dia na plataforma. Dados que reforçam esse uso são da Consumer Trends e apontam que 66% da geração Z e 53% dos millennials preferem o TikTok ao invés de TV e serviços de streamings, o que diz muito sobre o rumo da companhia nos próximos meses.

* Luciano Mathias é CCO da TRIO

Imagem: Olivier Le Moal (Shutterstock)