No universo da Web, a cada dia nos deparamos com novas tendências, termos, novidades e comunidades. E assim como novos modelos de trabalho surgem, também são criadas novas oportunidades para quem quer ter voz na rede. 

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Mas, com uma infinidade de conteúdos sendo alimentados 24 horas por dia, 7 dias por semana, fica difícil às vezes selecionar o que consumir. Muitos pensadores de mídia da Web3 já falam sobre como a mídia descentralizada é mais sobre a curadoria das coisas boas do que a criação delas. Ou seja: a curadoria é a nova criação.

Foi com base nesse pensamento que surgiu mais uma nova possibilidade revolucionária: os metalabels, grupos de criadores que se reúnem para lançar trabalhos sob uma marca comum e compartilham a mesma visão de mundo. Metalabel é, então, uma nova forma de comunidade: uma estrutura que cria um alinhamento econômico, emocional e fértil entre os colaboradores.

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E para que servem os metalabels?

Imagine quatro pessoas que escrevem boletins ou newsletters sobre o mesmo assunto. Eles possuem preocupações idênticas e defendem maneiras semelhantes de ver o mundo.

Na atual economia digital baseada nos creators, essas pessoas são colocadas umas contra as outras com o intuito de ganhar mais seguidores/assinantes e, assim, atenção. Em vez de colaboradores, é mais provável que sejam rivais, perseguindo os mesmos objetivos de status, produzindo quantidades enormes de conteúdo para permanecer no topo e ficar acima de seus concorrentes.

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Agora, vamos imaginar que um dia esses escritores ficaram esgotados pela concorrência e decidiram que ao invés de lutar um contra o outro, irão colaborar entre si.

Atualmente, para que isso aconteça, é necessário abrir uma empresa com uma conta bancária conjunta; tornando tudo mais complicado e burocrático, exigindo logo de cara muito mais compromisso e confiança.

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Ao se tornar um metalabel, o grupo poderia criar facilmente uma nova identidade compartilhada, definindo assim uma parceria e divulgando lançamentos com o intuito de construir um tesouro compartilhado em torno de seu trabalho conjunto.  As DAOs (Organização Autônoma Descentralizada) têm sido parte fundamental na criação de metalabels. Com sua estrutura hierárquica horizontal, fica mais fácil tomar decisões através das votações favorecidas pelos tokens de governança.

Além disso, podem ter definida a associação por NFTs – somente quem é detentor do NFT em questão faz parte do metalabel e pode ter uma carteira de criptomoedas multi-assinatura. Neste caso, se chamarão DAOs de mídia antes de chamarem metalabels.

Eu também vejo uma possibilidade de vários metalabels compartilhando a mesma visão de mundo se unirem em uma DAO de mídia. Ou também o inverso: uma DAO de mídia se dividindo em vários metalabels.

Como ter um Metalabel bem sucedido:

  • Criação: um grupo de pessoas com interesses em comum cria um metalabel para defender um ponto de vista compartilhado, usando releases públicos e produção de conteúdo em conjunto.
  • Definição de propósito: o grupo precisa concordar em lançar projetos que promovam uma causa e tenham um objetivo muito claro, apoiado por todos os participantes. Eles também devem apoiar o trabalho uns dos outros para que a comunidade do metalabel cresça.
  • Lançar projetos: os criadores e o metalabel colaboram para promover lançamentos de projetos, sejam eles uma assinatura no substack, uma assinatura de informações premium, um curso, masterclass ou mentoria – que pode ser algo gratuito ou pago; digital ou físico.
  • Compartilhar receita: os rendimentos financeiros dos lançamentos são divididos entre os criadores e a tesouraria do metalabel de acordo com termos transparentes previamente acordados e visíveis a todos. Algumas regras têm que ser bem definidas desde o início, como na abertura de uma empresa: o percentual que vai para cada criador, quanto será reinvestido no metalabel ou investidos em outros projetos, etc.
  • Financiar novos lançamentos: os recursos do Tesouro são aplicados em novos projetos que compartilham seu propósito, expandindo a parte criativa, cultural e econômica do metalabel e de seus criadores – manifestando, assim, sua visão no mundo.

Vantagens de fazer parte de um metalabel:

  • Você não precisa de um código ou QI (rs) para entrar.
  • Há uma marca unificada e um suporte geral de temas em que todos os criadores se encaixam.
  • Os criadores têm liberdade dentro de seu próprio nicho. Não há editor ou amarras
  • Você tem colegas/co-criadores para compartilhar ideias e fazer um trabalho criativo profundo juntos. Chega do isolamento da economia criadora.
  • Você pode trabalhar/escrever/criar quando e onde quiser. Não há necessidade de ir ao escritório.  Você pode ter outro emprego e escrever em plataformas diferentes sem sentir que está competindo.
  • Você pode compartilhar recursos de marketing e patrocínio para não ter que administrar o negócio inteiro e fazer o trabalho emocional e intelectual de criar sozinho.
  • Você pode escrever e publicar algo no mesmo dia. Ideias rápidas e inovação sem burocracia.
  • Você pode alcançar um público mais amplo com seu trabalho porque ele está empacotado em uma marca que atinge uma faixa de gosto mais ampla do que você pode alcançar em seu nicho.

Metalabel é um tema novo, mas com muito potencial. E como tudo na web 3.0, vem para trazer disrupção. Como já dizia Albert Einstein:  “O que há de melhor no homem somente desabrocha quando se envolve em uma comunidade.”

Imagem destacada: NicoElNino (Shutterstock)

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