Em uma reunião recente na Holanda, membros de organizações espaciais de todo o mundo concordaram sobre a necessidade de implementação de um fuso horário lunar comum aceito internacionalmente, que todas as missões futuras possam usar para se comunicar e navegar com facilidade.

  • A criação de um sistema para estabelecer um fuso horário lunar está em discussão
  • Até aqui, missões à Lua usaram relógios atômicos sincronizados com a Terra
  • Com diversas missões à Lua que se integrarão, um horário lunar local deve facilitar as operações conjuntas
  • Estabelecer um horário lunar é bastante complexo, mas quando feito, o sistema poderá ser transposto para outros satélites e planetas

A recente reunião na Holanda foi organizada e liderada por pesquisadores da Agência Espacial Europeia (ESA), mas a discussão foi extremamente colaborativa. O objetivo é montar uma estrutura mutuamente acordada, chamada LunaNet, que fornecerá uma interface comum para todas as futuras missões lunares, simplificando como elas se conectam, navegam, detectam, informam e se comunicam.

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“Um esforço internacional conjunto está sendo lançado para alcançar isso.

Pietro Giordano, engenheiro de sistemas de navegação da Agência Espacial Europeia (ESA)

E o tempo será fundamental para essas operações futuras. Nos próximos anos, vários landers robóticos serão enviados à Lua por várias organizações espaciais e empresas privadas. Além disso, a ESA, a NASA, a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) e a Agência Espacial Canadense (CSA) estão trabalhando juntas para estabelecer uma estação lunar em órbita, chamada Gateway, de onde futuras expedições podem ser lançadas.

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Essas missões não estarão apenas na Lua ou ao redor dela ao mesmo tempo, mas muitas vezes também interagirão – potencialmente retransmitindo comunicações umas para as outras, realizando observações conjuntas ou realizando operações de encontro.

ESA em comunicado à imprensa

Historicamente, todas as missões que foram à Lua usaram os relógios atômicos da Terra para rastrear seu progresso, sincronizando seu tempo no espaço com o tempo na Terra. Isso basicamente requer entrar em contato com a Terra e perguntar que horas são, ao mesmo tempo em que se contabiliza o tempo que leva para fazer essa ligação.

Um relógio antigo normal a bordo de uma espaçonave simplesmente não funcionará. As forças da gravidade e da velocidade são diferentes na Lua, o que significa que elas impactam o tempo de maneiras diferentes das forças próximas ao nosso próprio planeta.

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Na prática, isso significa que, se um astronauta lunar levasse um relógio da Terra, ele funcionaria mais rápido do que o normal em dezenas de microssegundos por dia. A velocidade depende se o astronauta está em órbita ou na própria Lua.

Sob essas condições complexas, a cronometragem estável definida especificamente para a Lua será difícil de estabelecer, mas pode ser mais precisa e rápida do que sincronizar com a hora da Terra.

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Por isso a discussão atual entre os cientistas. É melhor continuar a seguir o horário terrestre, ou criar um fuso horário lunar?

O último cenário exigirá a criação de um sistema de tempo lunar funcional e um sistema de coordenadas comum para a superfície da Lua, como o que usamos na Terra para rastrear satélites em órbita. Esta alternativa pode exigir mais energia e esforço, mas pode resultar em um sistema muito mais preciso – que pode ser aplicado também em planetas.

O sistema de tempo acordado também terá que ser prático para os astronautas. Isso será um grande desafio em uma superfície planetária onde na região equatorial cada dia dura 29,5 dias, incluindo noites lunares geladas de quinze dias, com toda a Terra apenas um pequeno círculo azul no céu escuro.

Bernhard Hufenbach, chefe de planejamento estratégico da ESA

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