O vulcão submarino de Tonga entrou em erupção em janeiro do ano passado. Mais de um ano depois, os resultados dessa catarse recorde continuam surpreendendo. Uma pesquisa recente descobriu que a perturbação conseguiu causar interferência em satélites na atmosfera.

As mudanças na pressão do ar foram grandes o suficiente para afetarem a ionosfera, a pelo menos mil quilômetros de altitude. A teoria de que a atividade vulcânica poderia interromper o fluxo de informações nessa região já era especulada há tempos, mas só agora foi confirmada.

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A explosão do vulcão em Tonga foi capturada por satélites no espaço
A explosão do vulcão em Tonga foi capturada por satélites no espaço (Imagem: NOAA/Reprodução)

Como ocorreu a interrupção?

A região da ionosfera conhecida como F sofre interrupções na região do equador devido às bolhas de plasmas. O plasma ionosférico ocorre com uma concentração excessiva de íons na ionosfera após o sol se pôr (ou, agora, pela ação do vulcão). Dessa forma, as bolhas se tornam regiões vazias entre as concentrações de plasma. 

Basicamente, uma erupção é capaz de repetir eventos desse tipo. Claro que isso não é tão simples. O fenômeno é difícil de ser detectado. A região F possui a maior concentração de íons em qualquer lugar na atmosfera.  

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“Essas bolhas de plasma raramente são observadas na ionosfera”, disse o principal autor do estudo, Atsuki Shinbori, cientista atmosférico da Universidade de Nagoya, no Japão, ao Space.com.

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Bolha de choque de erupção

A bolha de choque da erupção do Tonga atingiu impressionantes 2 mil quilômetros de altitude, muito além do previsto para os modelos padrões de bolhas de plasma.

Para fazer a descoberta, os pesquisadores usaram o satélite japonês Arase para detectar bolhas de plasma equatorial, o satélite nacional Himawari-8 para monitorar ondas atmosféricas e estações terrestres para rastrear movimentos na ionosfera.

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Antes do surgimento das bolhas, foi detectado um aumento aumento na altura da ionosfera até horas antes da chegada inicial dessa onda de choque. Movimento que pode ajudar os cientistas a prever o evento associado a erupções vulcânicas e outras manifestações do tipo na superfície da Terra.

Mesmo que não seja possível impedir os efeitos da bolha, a detecção pode ser útil para criar alertas para operadores de aviões de navios.

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