Um novo estudo publicado pela revista Science descreve uma técnica que pode auxiliar profissionais a descobrir mecanismos das doenças e como tratá-las. Analisando interações do corpo humano a nível microscópico, a pesquisa desvenda o funcionamento de enzimas e, a partir disso, possibilita a aplicação do conhecimento no tratamento de parasitas e na formulação de novos medicamentos.

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Nova técnica

  • A técnica descrita foi batizada de MIDAS, que, em inglês, significa “diálise acoplada a espectrometria de massas para a descoberta alostérica sistemática”.
  • Traduzindo: o que essa técnica faz é analisar as interações entre proteínas do corpo e metabólitos (o resultado final do metabolismo das células) de forma específica.
  • Atualmente, isso é muito difícil de ser feito, porque as interações são de baixa afinidade e, portanto, difíceis de se detectar. Para a professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP) e coautora do artigo, Maria Cristina Nonato, é como “uma conversa muito sutil, como um cochicho”.
  • Por isso a pesquisa é tão importante — e já detectou mais de 830 interações.
  • Compreendendo esses mecanismos a nível microscópico dentro do corpo humano, os pesquisadores conseguem entender como uma doença avança e, assim, descobrir como desenvolver tratamentos e novas medicações.
Parasitas da malária entre glóbulos vermelhos do sangue
Estudo pode ajudar a entender quais interações humanas podem combater parasitas e auxiliar no desenvolvimento de medicações (Imagem: iStock)

Inovação

Como diferencial, a técnica MIDAS tem uma sensibilidade maior para detectar as interações, que passariam despercebidas por outras metodologias.

A mesma técnica já foi usada em um piloto publicado em 2012, por Jared Rutter, professor da Universidade de Utah e coordenador do estudo atual.

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Na nova pesquisa, ele propõe melhorias para identificar as interações em um tempo ainda mais curto.

Importância da técnica

Kevin Hicks, primeiro autor do estudo e pesquisador da Escola de Medicina da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, disse à Agência FAPESP que o estudo joga luz sobre uma área que poucos valorizam.

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À medida que aprendemos mais sobre essa rede de interações, obtemos uma nova compreensão de como as células respondem ao seu estado metabólico. Essas interações, até então desconhecidas, vão proporcionar uma profunda compreensão sobre o que é saúde e doença, além de contribuir para a descoberta de novos tratamentos.

Kevin Hicks
Desafio da pesquisa se dá porque interações do corpo humano acontecem em nível microscópico (Imagem: Shutterstock)

Estudo de doenças e elaboração de remédios

  • Segundo Nonato, a mesma técnica pode ser usada para estudar doenças causadas por parasitas, utilizando das interações descobertas pela pesquisa atual.
  • Entendendo o que se passa a nível microscópio, descoberta possibilitada pelo estudo, outros pesquisadores podem se aprofundar no que essas interações significam e podem causar. Assim, eles podem entender como tratar doenças, por exemplo.
  • O grupo até chegou a descobrir um novo processo: um uso potencial da fumarase, uma enzima que pode ser usada para o tratamento de parasitas, como a Leishmania (leishmanioses) e Trypanosoma (que causa a doença de Chagas).

Com informações de ScienceAgência Fapesp

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