A escalada da guerra entre Israel e Hamas e a quase certa invasão terrestre à Faixa de Gaza, bem como os constantes bombardeios direcionados à região, ameaçam o patrimônio histórico da região.

Entre eles, as ruínas de uma igreja bizantina de mais de 1,5 mil anos, descoberta em 1996 e que foi aberta ao público em 2022 após anos de restauração. Ela possui mosaicos adornados com belas imagens de palmeiras, leões, gazelas, vacas e cavalos.

publicidade

Leia mais:

A igreja se encontra em Jabalia, quatro quilômetros ao norte da cidade de Gaza. Segundo o UOL, a agência de notícias AFP classificou que ela servia como “afago do grupo terrorista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, a seus ‘irmãos cristãos'”.

publicidade

Na região, ainda há muito a se descobrir. Contudo, é claro, isso só pode acontecer após o fim da atual guerra. Em uma das últimas disputas entre Israel e Hamas, em 2013, o arqueólogo palestino Hayam Albetar disse: “Debaixo de Gaza, há toda uma outra Gaza.”

Relíquias históricas de Gaza

  • Em 2022, um fazendeiro encontrou um mosaico bizantino com 17 aves e alguns outros animais no campo de refugiados de Bureij, próximo à fronteira com Israel;
  • Vários outros monumentos históricos são ameaçados atualmente e já estiveram no olho do furacão em disputas realizadas em, 2008, 2009 e 2014;
  • Nos séculos passados, egípcios, romanos, bizantinos, árabes, cruzados, mamelucos, otomanos, britânicos, egípcios modernos e israelenses sempre tentaram conquistar a pequena faixa de terra;
  • Infelizmente, pouca coisa segue firme, mas têm muito valor histórico;
  • Por exemplo, um cemitério romano de dois mil anos, encontrado há três meses e que possui mais de 100 tumbas e sarcófagos de chumbo.

No período dos romanos e bizantinos, Gaza era uma das cidades mais prósperas da Palestina. Ainda assim ela não tomou parte nos distúrbios que trouxeram problemas à província, então sua história foi tranquila.

Carol Glucker, em seu livro “The City of Gaza in Roman and Byzantine Periods

A seguir, veja outros patrimônios de Gaza:

publicidade

Mosteiro de Santo Hilário

As ruínas do Mosteiro de Santo Hilário estão no sítio arqueológico de Tell Umm el-‘Amr. No passado, ele foi um templo que levou 400 anos para ser construído e atravessou os períodos romano bizantino e o árabe abássida.

Ele também passou por restauro em três anos, com financiamento do British Council em parceria com a Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém, além de duas universidades palestinas.

publicidade

O processo se fez necessário dada a dificuldade de acesso à região desde 2007, quando o Hamas assumiu o controle da região. Desde então, Israel e Egito a isolaram do mundo.

O arqueólogo e diretor científico do projeto de restauro do mosteiro, Rene Elter, explicou ao The National News quão difícil é trabalhar sob as restrições impostas na região:

Para restaurar a cripta, tivemos que fazer três mil blocos de pedras cortadas para recriar o teto em arco que existia há séculos. Ferramentas para isso existem na Cisjordânia, mas não em Gaza. Era impossível importar ferramentas para Gaza para cortar a pedra, então o que fizemos? Nós nos adaptamos. Nós mesmos fizemos as ferramentas.

Rene Elter, arqueólogo e diretor científico do projeto de restauro do mosteiro, em entrevista ao The National News

Palácio do Paxá

Outro monumento de suma importância da região remonta ao século XIII, quando Gaza funcionava como espécie de ligação entre a Arábia e a Europa e que atraía visitantes.

O Palácio do Paxá, ou Qasr al-Basha, é símbolo do governo do sultão Baibars, líder do Sultanato Mameluco do Cairo (Egito). 400 anos depois, quando Gaza era dos otomanos, o forte foi melhorado.

Atualmente, ele abriga um colégio e um museu de antiguidades, possuindo jarros de 1,7 mil que armazenavam azeite e vinho, sendo transportados em navios mercantes que circulavam no Mar Mediterrâneo.

Imagem: Reprodução/Instagram/hiddenpalestine

Grande Mesquita de Gaza

A Grande Mesquita de Gaza também é conhecida como Omari e é a mais antiga mesquita em funcionamento em Gaza.

No século V, a edificação era uma igreja bizantina. Passou então a ser uma mesquita, conquistada pelos cruzados e transformada novamente em igreja católica. A seguir, foi retomada pelos árabes, destruída pelos mongóis, reconstruídos pelos otomanos e bombardeada pelos britânicos durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Ela e outras mesquitas também passaram por sérias dificuldades nos recentes confrontos entre Israel e Hamas. Em 2014, Israel afirmou que elas estavam sendo usadas para estocagem de mísseis e armamentos do Hamas, passando a ser alvos militares.

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) indicou que, à época, 63 mesquitas foram destruídas e 150 foram danificadas. Infelizmente, uma grande mesquita rica em história, também de nome Omari, tinha 700 anos e foi reduzida a cinzas. Ela ficava em Jabalia.

Hammam Al-Sammara

Em Gaza, Hammam Al-Sammara detém o título de única casa de banho turco da região. É uma das mais antigas, com cerca de mil anos de existência. Ela já era usada no século XIV, no tempo dos sultões mamelucos.

A casa, também chamada de Hammam Samaritano, que possui várias piscinas aquecidas e serviços de massagem, também tem papel importante entre a população carente, pois serve como algo como salão de beleza voltado para este público, segundo o site Al-Monitor.

Imagem: Reprodução/visitpalestine.ps