Astrônomos há muito tempo têm se interessado pela natureza dos centauros, que são corpos planetários pequenos que orbitam entre Júpiter e Netuno e compartilham características tanto de asteroides quanto de cometas. E os centauros se mostraram ainda mais incríveis graças ao Telescópio Espacial James Webb (JWST), fez descoberta inovadora ao detectar dióxido de carbono em um centauro chamado 39P/Oterma.

Estudo pioneiro com o James Webb

Os centauros são objetos importantes para estudar, pois oferecem visões sobre a composição química e os processos físicos do início do Sistema Solar.

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Conforme o Phys.org, o centauro 39P/Oterma foi descoberto em 1943 e é classificado como centauro ativo, o que significa que ele desenvolve uma coma e uma cauda como um cometa típico. Essa característica o tornou candidato ideal para o estudo.

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Descoberta surpreendente

  • O estudo utilizou o instrumento Espectrógrafo de Infravermelho Próximo (NIRSpec) do James Webb, bem como observações em terra, para investigar a composição do 39P/Oterma enquanto ele orbitava próximo ao seu periélio;
  • Os pesquisadores confirmaram a primeira detecção de dióxido de carbono em um centauro, assim como a menor quantidade de dióxido de carbono já detectada em um centauro ou cometa;
  • A ausência de água e monóxido de carbono no 39P/Oterma foi inesperada, uma vez que essas moléculas são normalmente detectadas em centauros;
  • Essa descoberta pode revolucionar nossa compreensão dos centauros, asteroides e cometas, além de fornecer percepções sobre a formação e evolução do Sistema Solar.

Abordagem inovadora

A capacidade do James Webb de detectar baixas taxas de produção de dióxido de carbono em objeto relativamente pequeno e distante como o 39P/Oterma é impressionante e lança luz sobre os diferentes comportamentos químicos exibidos pelos centauros.

Estes resultados são importantes porque mostram que, graças às impressionantes capacidades do Webb, somos capazes de ver baixas taxas de produção de um objeto relativamente pequeno que está muito distante. E, embora as taxas de produção são baixos, mostra comportamento químico diferente de outro centauro, 29P/SW1, visto a distância semelhante [~6 UA].

Esta diferença no comportamento químico pode dever-se aos tamanhos muito diferentes dos centauros 29P e 39P, ou ao fato de terem histórias orbitais diferentes, ou começarem com composições diferentes, ou possivelmente uma combinação de tudo isto.

Olga Harrington Pinto, pesquisadora de pós-doutorado na Auburn University, que conduziu a pesquisa enquanto era estudante de Ph.D. da Universidade da Flórida Central, em entrevista ao Universe Today

O estudo foi publicado nesta segunda-feira (6) Journal of Planetary Science e suas descobertas têm implicações significativas para futuras pesquisas na área da ciência planetária.