O Beeper Mini, um aplicativo projetado para permitir o uso do iMessage da Apple em dispositivos Android, enfrentou problemas técnicos significativos em menos de uma semana após seu lançamento. Os usuários começaram a ter dificuldades para enviar e receber mensagens, sugerindo que a Apple pudesse ter bloqueado as brechas utilizadas pelo aplicativo.

Para quem tem pressa:

  • O Beeper Mini, um aplicativo que permitia o uso do iMessage da Apple em dispositivos Android, enfrentou problemas técnicos graves pouco após seu lançamento, com dificuldades no envio e recebimento de mensagens;
  • A interrupção do serviço do Beeper Mini sugere que a Apple conseguiu bloquear o aplicativo, que foi desenvolvido por engenharia reversa do protocolo de mensagens da Apple por um estudante de 16 anos;
  • O bloqueio representa um revés para a empresa por trás do Beeper Mini, que tinha planos de expandir o aplicativo para uma solução de mensagens integrada, incluindo RCS e SMS;
  • O aplicativo permitia registrar um número de telefone com o iMessage e interagir diretamente com os servidores da Apple. Ele exigia uma assinatura mensal de US$ 2;
  • A Apple argumentou que o bloqueio foi uma medida de proteção à privacidade e segurança dos usuários do iMessage. A empresa destacou que técnicas que exploram credenciais falsas para acessar o iMessage representam riscos de segurança, incluindo exposição de metadados e potencial para spam e ataques de phishing.

O Beeper Mini foi desenvolvido a partir de um esforço de engenharia reversa do protocolo de mensagens da Apple, conduzido por um estudante do ensino médio de 16 anos. Inicialmente, o aplicativo funcionou bem, permitindo a comunicação entre usuários de iMessage e Android. Mas as pessoas começaram a reclamar nas redes sociais pouco depois.

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Havia esperança entre os desenvolvedores e usuários de que seria muito trabalhoso para a Apple bloquear o aplicativo. Mas a interrupção repentina do serviço sugere que a Apple conseguiu bloquear o Beeper Mini mais facilmente do que o previsto.

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O bloqueio do Beeper Mini representa um revés significativo para a empresa, que tinha planos de transformar o aplicativo em uma solução de mensagens tudo-em-um, integrando RCS e SMS.

iMessage no Android

Ícone do iMessage entre outros aplicativos num iPhone 15 Pro
(Imagem: Pedro Spadoni/Olhar Digital)

O aplicativo exigia uma assinatura mensal de US$ 2 (aproximadamente R$ 10 em conversão direta) e foi elogiado por suas capacidades técnicas. Os desenvolvedores conseguiram registrar um número de telefone com o iMessage e interagir diretamente com os servidores da Apple.

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A equipe do Beeper teve que desvendar o complexo processo de envio e recebimento de mensagens através do sistema da Apple. O maior desafio foi contornar as verificações da Apple para confirmar se o dispositivo conectado era um produto genuíno da empresa.

O CEO do Beeper, Eric Migicovsky, questionou a ação da Apple, argumentando que o bloqueio do Beeper Mini impede os usuários do iPhone de enviar mensagens criptografadas para usuários do Android, forçando-os a voltar ao uso de SMS, que, segundo ele, é menos seguro.

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Outro lado

A Apple compartilhou seu posicionamento sobre o assunto. A empresa diz que tenta fazer o certo pelos seus usuários e proteger a privacidade e segurança do iMessage. “Tomamos medidas para proteger nossos usuários, bloqueando técnicas que exploram credenciais falsas para obter acesso ao iMessage,” disse a gerente sênior de RP da Apple, Nadine Haija, em comunicado.

Confira abaixo a nota na íntegra:

Na Apple, construímos nossos produtos e serviços com tecnologias de privacidade e segurança líderes do setor, projetadas para dar aos usuários controle sobre seus dados e manter informações pessoais seguras. Tomamos medidas para proteger nossos usuários, bloqueando técnicas que exploram credenciais falsas para obter acesso ao iMessage. Essas técnicas representavam riscos significativos para a segurança e privacidade do usuário, incluindo a possibilidade de exposição de metadados e habilitação de mensagens indesejadas, spam e ataques de phishing. Continuaremos a fazer atualizações no futuro para proteger nossos usuários.