O governo federal vai começar a distribuir a vacina contra a dengue aos estados na próxima semana. Ao todo, 521 municípios serão contemplados nesta primeira leva.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (1) pelo diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Eder Gatti, durante reunião na sede da Organização Pan-americana da Saúde (Opas), em Brasília.

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A primeira remessa, com cerca de 757 mil doses, chegou ao Brasil no dia 20 de janeiro e está no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde. O lote faz parte de um total de 1,32 milhão de doses fornecidas pela farmacêutica japonesa Takeda Pharma. A outra parte, com mais 568 mil doses, tem entrega prevista para fevereiro.

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Ao todo, o Ministério da Saúde comprou 5,2 milhões de doses junto ao laboratório nipônico para serem utilizadas neste ano. A previsão da pasta é que as doses adquiridas possam imunizar cerca de 3,2 milhões de pessoas ao longo de 2024. Para 2025, a pasta já contratou outras 9 milhões de doses.

A campanha de vacinação pelo SUS deve começar ainda em fevereiro.

Por que a demora em começar a distribuição?

  • As primeiras doses chegaram ao país em 20 de janeiro, ou seja, já se passaram quase 2 semanas.
  • E você pode se perguntar: por que a demora em enviar as vacinas aos estados?
  • A resposta é técnica. A pasta aguardava a tradução para o português da bula do imunizante Qdenga.
  • Trata-se de uma exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ao fabricante, o laboratório japonês Takeda Pharma.
  • Nesta quarta-feira (31), a ministra da Saúde, Nísia Trindade, já havia adiantado que a questão seria resolvida em poucos dias – por meio do envio do arquivo em formato digital.

Público-alvo

Em razão de uma quantidade limitada de doses, a vacinação contra a dengue vai priorizar crianças e adolescentes de 10 a 14 anos de idade, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações depois dos idosos.

Pessoas com mais de 60 anos, porém, não têm indicação para receber a dose em razão da ausência de estudos clínicos.

Lembrando que o Brasil vai se tornar o primeiro país no mundo a oferecer a vacina na rede pública.

Alta nos casos

A dengue voltou a se tornar uma preocupação de saúde pública. De acordo com o governo, a explicação para o crescimento dos casos passa pelas altas temperaturas e as mudanças climáticas. Os dados são assustadores.

Em 2023, o Brasil bateu o recorde de mortes por dengue com 1.096 óbitos. Em 2024, o número de casos registrados já é o dobro que no mesmo período do ano passado.

Nas duas primeiras semanas deste ano, houve 55.859 casos prováveis de dengue no país. Seis pessoas morreram por complicações da doença.

No mesmo período de 2023, haviam sido registrados 26.801 casos, com 17 mortes. Ou seja, a curva indica que este ano será pior que o ano passado.

As informações são da Agência Brasil.