Conforme noticiado pelo Olhar Digital, um satélite da Agência Espacial Europeia (ESA), que ficou 16 anos em operação na órbita baixa da Terra, vai “cair” no planeta

Embora as estimativas iniciais apontassem que isso aconteceria na quinta-feira (22), de acordo com a mais recente atualização (que deve ser a última antes do evento), a reentrada do equipamento na atmosfera será bem antes do previsto.

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Vamos entender:

  • Um satélite europeu alcançou o término de sua vida útil em 2011;
  • A espaçonave foi então aposentada pela ESA, que iniciou o processo de deórbita;
  • Ao longo dos anos, o satélite ERS-2 vem executando uma série de manobras nesse sentido;
  • A agência previa que ele cairia na Terra na quinta-feira, mas as estimativas foram adiantadas.

Segundo a publicação feita na conta oficial do Departamento de Operações da ESA no X (antigo Twitter), o Gabinete de Detritos Espaciais da agência prevê que a reentrada da espaçonave ERS-2 (sigla para “segundo satélite europeu de teledetecção”) será às 12h41 (pelo horário de Brasília) desta quarta-feira (21). A margem de erro é de 1h44min para mais ou para menos, segundo o relatório de monitoramento.

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Como a reentrada não pode ser controlada (por isso é chamada de “natural”), a previsão de quando o satélite atingirá o planeta não é precisa e vai se tornando mais fiel conforme ele se aproxima. 

“Essa incerteza é em grande parte o resultado de como é difícil prever a densidade do ar pelo qual o satélite está passando”, diz o comunicado de atualização da ESA. “A densidade atmosférica determina a força do arrasto que faz com que a órbita do ERS-2 decaia, mas nossa capacidade de prevê-la é limitada pelo quão bem podemos modelar nossa atmosfera muito complexa e pelas condições climáticas espaciais atuais”.

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A agência estima que o maior fragmento do satélite de mais de duas toneladas que poderia chegar ao solo seria de cerca de 52 kg, e as chances de um pedaço cair na cabeça de alguém é de uma em um bilhão. Considerando que 71% da superfície da Terra é água, é provável que o que sobrar da queima na atmosfera mergulhe em algum dos oceanos do globo.

No horário previsto atual de reentrada, a espaçonave estará localizada aproximadamente 80 km acima do marcador vermelho do mapa abaixo, rotulado COIW (sigla em inglês para “janela central de impacto”).

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Mapa de monitoramento do satélite ERS-2. Crédito: ESA

“É aqui que esperamos que o satélite comece a se romper”, diz a ESA. “A grande maioria do satélite queimará, e quaisquer pedaços que sobreviverem serão espalhados um pouco aleatoriamente por uma trilha terrestre em média de centenas de quilômetros de comprimento e algumas dezenas de quilômetros de largura (razão pela qual os riscos associados são muito baixos).

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O satélite ERS-2 foi lançado em 1995, com a função de coletar dados cruciais sobre mudanças climáticas e o meio ambiente. A espaçonave é equipada com uma variedade de instrumentos avançados, como radar de abertura sintética, altímetro de radar e sensores para medir temperatura da superfície oceânica e ventos marítimos – tendo proporcionado uma visão sem precedentes da Terra.

Além disso, sua capacidade de monitorar desastres naturais, como inundações e terremotos, foi fundamental para alertar e ajudar comunidades em todo o mundo em momentos críticos ao longo dos anos.

Com o término de sua vida útil em 2011, a ESA iniciou o processo de aposentadoria do ERS-2, preparando-o para seu último grande ato: reentrar na atmosfera terrestre e se desintegrar. Esse procedimento é importante para garantir que o satélite não se torne lixo espacial, reduzindo assim os riscos de colisões com outros objetos em órbita.

O legado do ERS-2 vai além dos dados que coletou. Ele pavimentou o caminho para o desenvolvimento de futuras missões espaciais, fornecendo tecnologias e conhecimentos essenciais para satélites meteorológicos, missões de pesquisa científica e outros programas de observação da Terra.

Seu radar, por exemplo, foi um precursor dos sistemas usados em missões como o satélite Copernicus Sentinel-1, enquanto seu altímetro de radar ajudou a influenciar o sensor da missão CryoSat Earth Explorer, crucial para mapear mudanças na espessura do gelo polar.

É importante reconhecer o papel vital desse satélite europeu desativado na ampliação de nosso entendimento sobre a Terra e as mudanças do planeta. Seu legado continuará a inspirar e informar futuras gerações de cientistas e pesquisadores, à medida que enfrentamos os desafios ambientais da atualidade.