Lançado no Dia Internacional da Mulher, nesta sexta-feira (8), um chatbot de inteligência artificial (IA) auxilia pessoas a reportar assédio sexual, bem como ajuda empresas a entender melhor a situação.

A ferramenta foi desenvolvida por Ruth Sparkes e Sunita Gordon, e foi agregada ao app britânico chamado SaferSpace. Ele também auxiliará qualquer um que seja vítima de assédio ou racismo, tendo sido treinada sobre a Lei da Igualdade do Reino Unido.

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Chatbot contra assédio sexual

“Meu chefe continua fazendo sugestões obscenas e me criticando de forma inadequada, isso é assédio sexual?”, questiona uma suposta vítima, no que o chatbot responde: “Sim, isto provavelmente seria considerado assédio sexual.”

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  • “Uma das principais razões pelas quais as pessoas não denunciam assédio sexual é que não sabem se foram vítimas dele ou não”, disse Sparkes ao Euronews;
  • “Queríamos criar algo que não só desse voz às vítimas, mas também ajudasse as instituições a criar ambientes mais seguros”, continuou;
  • Sparkes afirmou que a ideia veio de sua experiência pessoal. “Meu chefe me agarrou pela jaqueta de couro, me puxou para perto e gritou comigo na frente de todo mundo. De qualquer maneira, pensei que ele era um idiota, simplesmente ignorei e continuei”, disse;
  • Outro colega reportou o fato aos Recursos Humanos (RH) da empresa, o que a deixou se sentindo intimidada. “Acho que porque elas [o RH] eram mulheres de terno, e provavelmente eu simplesmente não queria falar sobre isso porque o poder foi tirado porque eu não denunciei”;
  • “Alguém viu isso acontecer e relatou. Então, também perdi toda a energia naquele momento”, disse ela.

Casos de assédio e violência no trabalho

No mundo todo, estipula-se que mais de uma em cada cinco pessoas (quase 23%) empregadas passaram por violência e assédio no trabalho, tanto física, psicológica, ou sexual, segundo pesquisa da Organização Internacional do Trabalho das Nações Unidas, divulgado em 2022.

Enquanto o chatbot ajuda pessoas a informar quaisquer comportamentos inapropriados, assédio, discriminação ou racismo, as fundadoras também querem que as empresas entendam o que está se passando.

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Eles [os departamentos de RH] serão capazes de ver onde existem padrões. Se você tem determinado membro da equipe que está se comportando de maneira específica com determinado grupo de pessoas, então, você pode querer dar mais treinamento, ou pode ser tão sério, que precisa de processo disciplinar, mas, na verdade, vai destacar onde estão os hotspots.

Ruth Sparkes, cofundadora do SaferSpace, ao Euronews

Várias empresas já aderiram ao SaferSpace beta, sendo muitas delas dos setores jurídico, educacional e financeiro.