Com vestígios da pandemia que trouxeram o trabalho home office e o modelo híbrido, ainda surgem novos modelos de trabalho, com o objetivo de combinar qualidade de vida com produtividade. Um desses é o Chronoworking, tendência que vem ganhando adeptos pela Europa e pode ser uma nova opção para o mundo corporativo.

Se você é daqueles que fogem de horários padronizados para jornada de trabalho, confira neste artigo como o que é exatamente o Chronoworking e como aderir.

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Chronoworking: o que é e como surgiu?

Muito além do que diminuir a carga horário dos colaboradores, o conceito de Chronoworking consiste em uma adaptação das horas de trabalho com o ritmo biológico de cada pessoa. Essa combinação seria determinante para que as pessoas trabalhassem somente em horários que se sentissem mais produtivos.

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 Criado pela jornalista Ellen C Scott, a abordagem considere a engrenagem com as tarefas diárias de acordo com os cronótipos individuais. Dessa forma, a prática de trabalho se adequa aos padrões naturais de sono e vigília de cada pessoa.

Portanto, aquelas pessoas que se sentem mais produtivas em horários noturnos, seriam os adeptos do trabalho em tais horários e desse modo, sempre entregariam o seu melhor trabalho, ou seja, sua melhor produtividade. Além disso, teriam mais tempo para o descanso, lazer e atividades do dia a dia em que não se sentem produtivas de fato.

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Chronoworking: entenda os cronótipos pessoais

Antes de mais nada, vamos entender o que são os cronótipos pessoais, o horário natural em que cada pessoa deseja dormir. De acordo com o psicólogo clínico americano e “médico do sono” Michael Breus existem quatro tipos de cronótipos:

  • Produtividade no meio do dia | 10h as 14h – (equivalente a 55% das pessoas);
  • Produtividade pela manhã – (15% das pessoas);
  • Produtividade noturna-(10% das pessoas).

Este último, considera aquelas pessoas cujo ritmo circadiano pode ser mais errático e com variação. Sendo assim, muitas pessoas têm de trabalhar fora dos seus horários com maior pico de produtividade. Segundo uma pesquisa realizada em janeiro pela My perfect Resume, 94% dos 1.500 trabalhadores entrevistados confirmaram o fato, sendo que 77% afirmaram que as horas de trabalho padrão obrigatórias afetam o seu desempenho no trabalho. 

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Imagem Shutterstock

Para sobreviver com tais alterações que não combinam com os seus respectivos ritmos biológicos, quase metade dos entrevistados afirmou que cochila durante o dia de trabalho. Além disso, 42% dessas pessoas confessam que consomem cafeína como estratégia para manter os níveis de energia.

Chronoworking: como aderir ao novo modelo  

No entanto, apesar da existência das variações de cronótipos, questões como legislação trabalhista padrão que define horários específicos ainda são um impasse para tal prática. Nos Estados Unidos, por exemplo, o tradicional dia de trabalho de oito horas, das 9h às 17h, determinado pelos sindicatos em 1800, ainda é a norma. Sem contar que no universo corporativo outras necessidades ainda teriam que se adequar a esse novo modelo, como reuniões em equipe, por exemplo.

Dirk Buyens, professor de gestão de RH na Vlerick Business School, em Bruxelas considera que por mais que a abordagem conceda independência aos trabalhadores e a capacidade de ter um dia de trabalho não linear, os membros da equipe ainda precisam de pelo menos algumas “horas cruzadas” para reuniões e projetos partilhados.

Além disso, Buyens fala que esse modelo pode ser um grande desafio para os gerentes e supervisores, que evidentemente teriam que enfrentar maiores dificuldades tanto para supervisionar o resultado da equipe quanto para garantir que eles estejam sempre disponíveis e apoiem os líderes.

Porém, colocar o Chronoworking em prática não é impossível, muito pelo contrário, há empresas como a Flexa, por exemplo, que adotou o novo modelo em suas equipes de trabalho.

Segundo matéria da BBC, essa empresa exige que todos os seus funcionários estejam online durante o horário comercial das 11h00 às 15h00. Dessa forma, permite que a equipe realize rapidamente tarefas compartilhadas. 

A CEO Molly Johnson-Jones, mostra sua satisfação com a adoção do Chronoworking: “Tiraremos mais proveito das pessoas e elas serão mais produtivas se puderem operar de acordo com seus próprios cronótipos”, afirmou.

Outro exemplo de adaptação para a adesão do Chronoworking, para ajudar a preencher a lacuna do trabalho assíncrono, é gravar reuniões e compartilhá-las com os membros da equipe que não participaram. Algumas empresas também já adotaram tal prática.

E aí, já imaginou trabalhar em uma empresa com o modelo Chronoworking? Qual é o seu cronótipo, você é daquelas pessoas que adora produzir mais cedo, de tarde ou à noite? Comente aqui!