Conforme vem sendo noticiado pelo Olhar Digital, em abril, haverá um eclipse solar total – um dos eventos astronômicos mais espetaculares que existem. Na ocasião, o fenômeno poderá ser visto ao longo de uma faixa que abrange três estados do México, 15 dos EUA e quatro do Canadá, de acordo com a NASA.

Sobre o eclipse solar:

  • Um eclipse solar ocorre quando a Lua passa entre a Terra e o Sol lançando uma sombra sobre determinada área do planeta e bloqueando total ou parcialmente a luz solar;
  • Existem três tipos mais conhecidos desse fenômeno: parcial, anular e total;
  • Há ainda um quarto padrão, mais raro, que praticamente mistura todos eles: o híbrido (como o que aconteceu em abril do ano passado);
  • No dia 8 de abril, acontecerá um eclipse solar total, visível na América do Norte.

Na imagem abaixo, vemos o chamado caminho da totalidade, onde a sombra umbral interna da Lua se moverá pela América do Norte. O trecho tem 185 km de extensão por 13 mil km de comprimento, nascendo e morrendo em áreas oceânicas. Conforme se pode observar, a porcentagem de visualização parcial do eclipse vai reduzindo conforme as faixas se distanciam.

O caminho da totalidade do eclipse de 8 de abril de 2024, por estado. Crédito: Michael Zeiler/GreatAmericanEclipse.com

Eclipses solares eram mais longos nos tempos dos dinossauros

Em eras passadas, os eclipses poderiam ser consideravelmente mais longos do que os da atualidade e, certamente, mais impressionantes. Isso foi há milhões de anos, quando a Lua estava mais próxima da Terra.

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Naquela época, embora a Lua se movesse mais rapidamente em sua órbita, seu tamanho aparente maior permitia que ela bloqueasse o Sol mesmo quando não estava perfeitamente alinhada. Assim, nos tempos dos dinossauros, teriam ocorrido eclipses épicos, com duração muito superior aos que observamos hoje.

Infelizmente, não dispomos de registros precisos desses eventos antigos. Embora tenhamos modelos impressionantes dos movimentos dos corpos celestes, sua precisão diminui quanto mais nos afastamos no tempo. Consequentemente, não é possível determinar com exatidão as datas de eclipses particularmente prolongados ocorridos dezenas de milhares, ou até mesmo milhões, de anos atrás.

Portanto, qualquer tentativa de identificar recordes deve se restringir aos eventos documentados ou registrados de alguma forma. A medição mais precisa de um eclipse total ocorreu em 20 de junho de 1955, quando o Sol foi completamente obstruído por 7 minutos e 8 segundos. Esse eclipse foi visível do Sri Lanka e partes do Sudeste Asiático.

Eclipse solar total de 2017
Eclipse solar total de 2017. Crédito: NASA/Aubrey Gemignani)

Esse recorde deve ser quebrado dentro de 126 anos. Em 2150, está previsto um eclipse com duração de 7 minutos e 14 segundos, o que o tornará o mais longo até então, superando o registro anterior por seis segundos.

Para 16 anos depois, está previsto um com duração de 7 minutos e 26 segundos, e em 2186, ocorrerá um evento de 7 minutos e 29 segundos. O fim do século 22 promete ser uma época de ouro para os entusiastas de eclipses, embora o caminho da totalidade do primeiro deles mal toque a superfície terrestre.

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Maior duração possível para eventos do tipo

Apesar da falta de registros precisos, é provável que a humanidade já tenha testemunhado eclipses mais longos do que o documentado em 1955. O registro mais antigo de um eclipse vem do texto chinês Shujing, que menciona um evento em 22 de outubro de 2137 a.C. Além disso, há indícios de petroglifos irlandeses que podem fazer referência a um eclipse ocorrido em 30 de novembro de 3340 a.C.

Desde então, segundo a NASA, mais de 20 eclipses tiveram maior duração que o evento de 1955, embora muitos deles não tenham registros detalhados. Por exemplo, o eclipse de 9 de junho de 1062 durou cerca de 7 minutos e 20 segundos, mas ocorreu principalmente sobre o Oceano Pacífico, dificultando a observação precisa.

O eclipse mais longo desse período remonta a 743 a.C., quando partes do Oceano Índico ficaram na escuridão por 7 minutos e 28 segundos. No entanto, não há registros precisos, pois a tecnologia necessária para medi-los não estava disponível na época.

A duração de um eclipse solar depende das órbitas da Terra e da Lua, ambas não perfeitamente circulares. Quando a Terra está mais distante do Sol, o astro parece ocupar menos espaço no céu, permitindo que seja totalmente ocultado por mais tempo. Por outro lado, quando a Lua está mais próxima, seu tamanho aparente aumenta, possibilitando um bloqueio mais eficiente.

Além disso, a localização geográfica também influencia a duração do eclipse. Estar próximo ao equador aumenta a velocidade de rotação da Terra, reduzindo a velocidade relativa da sombra da Lua e prolongando o período de totalidade. Eclipses que ocorrem quando o Sol e a Lua estão quase diretamente acima, em vez de perto do horizonte, tendem a ser mais longos.

Considerando todos esses fatores, Isabel Martin Lewis, falecida astrônoma da Academia Naval dos EUA, calculou que a duração máxima possível de um eclipse nas condições atuais é de 7 minutos e 31 segundos. No entanto, devido à necessidade de alinhamento preciso entre os corpos celestes, é raro que ocorram eclipses tão prolongados.