Faz parte do envelhecimento esquecer as coisas com mais frequência. Qual é o dia do aniversário daquela pessoa mesmo? Onde deixei a chave do carro? Como chama aquele jogador que fez 3 gols no clássico na semana passada?

Segundo explica a neurologista Sharon Sha, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, o nosso cérebro alcança o pico de desempenho aos 25, 26 anos. Depois disso, é só ladeira abaixo. Brincadeira! Mas, depois disso, há, sim, um declínio — ele, no entanto, é gradual e relativamente lento.

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Ou seja, se você tiver lapsos grandes e frequentes de memória, muito provavelmente isso está ligado a alguma doença ou condição psicológica, como a depressão e a ansiedade. Não devemos encarar a falta de memória como algo tão natural assim, segundo a médica.

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A doutora deu alguns exemplos do que podemos considerar normal:

  • Um adulto jovem ou de meia-idade consegue lembrar uma sequência de sete números, em média.
  • Já uma pessoa na faixa dos 60 anos sem demência consegue decorar seis dígitos — um a menos apenas.
  • Quando solicitados a listar o maior número possível de animais em um curto espaço de tempo, os adultos com mais de 55 anos conseguem listar cerca de 4% menos do que aqueles com menos de 55 anos.
  • Mais uma vez, a diferença não é tão grande assim.

“Há cerca de uma geração, presumimos que, quando envelhecemos, perdemos dramaticamente a memória. Esse realmente não é o caso”, explicou a doutora Sharon Sha.

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Perfil da doutora Sharon Sha, de Stanford – Imagem: Reprodução da tela/Universidade de Stanford

Tira-dúvidas

O site gringo Medical Xpress fez uma longa entrevista com a neurologista Sharon Sha, que é a responsável pela Divisão de Distúrbios de Memória da Universidade de Medicina de Stanford.

E nós, do Olhar Digital, separamos os principais tópicos desse assunto que gera muita curiosidade das pessoas. Afinal, todos nós ficaremos velhos um dia.

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1) O que pode ser considerado normal e o que não?

Segundo a doutora, “nossa velocidade de processamento – a rapidez com que pensamos – pode diminuir”, assim como “a quantidade de conteúdo na nossa memória”.
Ela explicou que aquela pequena lista de itens do mercado pode ficar mais curta, mas nunca deve cair a zero. Se isso acontecer, provavelmente você tem alguma coisa.

2) Se isso acontecer, significa que temos demência?

A doutora Sharon Sha esclarece que existem exames próprios para definir isso. E que existem graus diferentes.
“A definição de demência também inclui declínio funcional, o que significa que alguém não é mais capaz de viver de forma independente. Se alguém não consegue mais fazer compras ou cozinhar, ou se lembrar de tomar os remédios, isso é preocupante e está além da expectativa do envelhecimento normal”, explicou a médica.

3) Se não for demência, o que pode causar esses lapsos de memória?

A neurologista afirma que podem ser várias outras coisas:
“Quando alguém chega à clínica e diz que está com problemas de memória, perguntamos sobre medicamentos, sobre problemas psiquiátricos, como ansiedade e depressão, e sobre o sono”.
De acordo com ela, uma pessoa que dorme menos de 6 horas por dia com grande frequência tende a ter dificuldades em guardar informações.

4) Existem coisas que as pessoas podem fazer para proteger a memória e a saúde do cérebro?

Essa foi a melhor resposta da médica — e ela dá dicas de ouro para a gente. Disse a neurologista de Stanford:
“Esta é a questão chave, porque não se pode combater o envelhecimento, por mais que se queira. O benefício do envelhecimento é que você tem toda essa experiência, mas como vivemos e envelhecemos de forma saudável? É aí que a pesquisa está apontando coisas de bom senso, como exercícios.”
Sharon Sha disse que “qualquer tipo de exercício é melhor do que ficar sentado”. Deu como exemplos uma corrida, ou musculação ou até caminhada leve para ver as árvores.
Ela defende que as pessoas não parem de estimular o cérebro: “Se você odeia palavras cruzadas como eu, ficará frustrado e isso não é saudável, então escolha outra coisa. Aprender um novo esporte ou um novo tipo de dança é ótimo para o cérebro porque é um exercício, um aprendizado de algo novo e uma exposição social”, explicou a especialista.

Imagem: LightField Studios/Shutterstock

A doutora Sha, por fim, deu mais duas dicas importantes para quem quer tratar bem o seu próprio cérebro:

  • Certifique-se sempre de que está consumindo frutas, vegetais e proteínas magras.
  • E tenha uma boa noite de sono.