Você conhece os quítons? Eles são pequenos, mas ferozes e possuem conchas que lembram armaduras cobertas por olhos. Em investigações aprofundadas, mais peculiaridades dessa verdadeira criatura marinha bizarra foram descobertas.

O que são os quítons, essas criaturas bizarras cheias de olhos?

  • Os quítons não são nada mais, nada menos que moluscos marinhos;
  • Possuem formato ovoide e rastejam lentamente sobre as rochas em zona entremarés;
  • Além disso, podem ser reconhecidos por suas cotas de malha que formam a espécie de armadura em suas costas;
  • Entre as espécies existentes, uma delas tem nome bem curioso: “bolo de carne errante”. Ela tem dentes feitos de mineral à base de ferro, que, antes, só era possível de se achar em rochas;
  • Eles também tem olhos, claro, mas que se encontram em suas conchas (!).

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Segundo o IFLScience, em comunicado, o coautor do estudo, Daniel Speiser, disse que “não creio existir outro animal que coloque os olhos em sua armadura como o quíton faz”.

Peculiaridades dos quítons, criatura cheia de olhos

Os quítons possuem, na camada mais extrema de suas conchas, as estetas, órgãos sensoriais mais abundantes no animal. Os cientistas acreditam que as estetas se formam a partir de dois sistemas visuais diferentes que evoluíram em alguns deles.

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O primeiro deles envolve olhos maiores, que possuem lentes formadas de aragonita que focalizam a luz, lembrando nossos olhos. O segundo, apesar de menor, ganha em quantidade, lembrando “manchas oculares” que funcionam como píxeis individuais, parecido com olhos compostos de certos insetos.

No novo estudo, os pesquisadores buscaram entender como esses olhos evoluíram. “Existe algo que possamos identificar que esteja guiando a evolução nesses diferentes grupos em direção às manchas oculares ou aos olhos de concha?”, queria compreender a autora principal da pesquisa, Rebecca Varney.

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Estetas (verdes) são encontrados em todos os quítons, enquanto olhos em concha (azuis) e manchas oculares (vermelhas) evoluíram apenas em alguns grupos; essas estruturas estão conectadas ao sistema nervoso do quíton por meio de entalhes na concha (Imagem: Varney et al. [CC POR-NC-ND])

Investigação

Para realizar a pesquisa (publicada na Science), Varney e seus colegas trabalharam na árvore genealógica do animal. Eles descobriram, de forma surpreendente, que os ancestrais dos quítons desenvolveram olhos em quatro ocasiões distintas.

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Sabíamos que havia dois tipos de olhos, então, não esperávamos quatro origens independentes. O fato de os quítons terem evoluído os olhos quatro vezes, de duas maneiras diferentes, é bastante surpreendente para mim.

Rebecca Varney, autora principal da pesquisa

Para deixar as coisas ainda mais esquisitas, os grupos que chegaram a estruturas similares não eram tão íntimos entre si. “Quase parecia estranho demais para ser verdade”, comentou o autor sênior da pesquisa, Todd Oakley.

Foi descoberto que os olhos em forma de concha em algumas espécies de quíton evoluíram entre 250 milhões e 200 milhões de anos atrás, enquanto, em outras espécies, eles surgiram durante o período Cretáceo, há cerca de 150 milhões a 100 milhões de anos.

Já as manchas oculares evoluíram em grupo de quítons entre 260 milhões e 200 milhões de anos atrás, enquanto, em outro, isso ocorreu entre 75 milhões e 25 milhões de anos atrás.

O período evolutivo das espécies é bastante interessante, pois vemos soluções iguais ou semelhantes para problemas da vida surgirem. Um exemplo são os caranguejos, que evoluíram, ao menos, cinco vezes.

Para descobrirem como isso se deu com os quítons, os pesquisadores procuraram diferenças reveladoras entre as espécies. Eles notaram que os quítons que possuem manchas oculares tendem a ser mais fendas na margem de cada segmento da concha.

Em contrapartida, os olhos em forma de concha tinham muito menos. Tais fendas facilitam os nervos que passam da concha do quíton para o corpo. Dessa forma, os investigadores creem que o número de fendas presentes quando os sistemas visuais dos quítons se desenvolveram quando os sistemas visuais desses animais se desenvolveram prevê qual tipo de sistema visual evoluiu.

Aqui temos demonstração muito clara em sistema natural de que a evolução depende do que veio antes, mesmo quando o que veio antes pode parecer completamente não relacionado.

Todd Oakley, autor sênior da pesquisa

Apesar dessas descobertas, o quanto os quítons “veem” por meio desses dois sistemas ainda é misterioso. Mas sabe-se que a evolução de sua visão é quase tão bizarra quanto eles em si.