Em 1999, uma expedição arqueológica realizada no Abismo Iguatemi, localizado na região sul do Estado de São Paulo, encontrou ossos quase intactos de uma preguiça-gigante do gênero Catonyx cuvieri. Agora, depois de 25 anos, um grupo de pesquisa do Instituto de Biociências (IB) da USP finalizou os estudos dos fósseis e catalogou o achado.

A partir da análise, foi possível encontrar informações sobre o habitat, anatomia e época em que o animal viveu. Nesta pesquisa, também foram catalogados fósseis da primeira preguiça terrestre argentina encontrada no território brasileiro.

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Tudo o que se sabe sobre o fóssil de preguiça-gigante:

  • Segundo os cientistas, a preguiça-gigante caiu no Abismo Iguatemi há 10 mil anos. A proteção natural da fenda foi o que manteve os ossos tão bem preservados.
  • No local, foram encontrados um úmero completo (braço), um rádio (parte do antebraço) e uma falange intermédia (osso do dedo).
  • O Catonyx cuvieri é da família Scelidotheriidae e os indícios indicam que era um jovem adulto, sem doenças e bem robusto.
  • Essa espécie tem vestígios na região oriental da América do Sul, incluindo partes do Brasil e do Uruguai, e possivelmente conviveu com seres humanos.
  • Até então, teorizava-se que existiam florestas nessas áreas. Porém, se fosse o caso, os animais não teriam sobrevivido. Sua alimentação consistia em vegetação típica do Cerrado.
  • Isso indica que o bioma provavelmente estava em uma fase transicional entre floresta e Cerrado.
Imagem: Marcos Santos/USP imagens

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A primeira preguiça terrestre argentina encontrada no Brasil

O grupo arqueológico também estudou outras ossadas que estavam apenas esperando por uma identificação no acervo do Laboratório de Paleontologia Sistemática do Instituto de Geociências (IGc) da USP. Entre elas, um fêmur de uma preguiça terrestre argentina com fraturas superficiais. O animal é da família Nothrotherium e foi encontrado em 1980 durante uma expedição no Abismo Ponta de Flecha, em São Paulo. Este é o primeiro indivíduo da espécie catalogada aqui no Brasil.

Imagine a nossa surpresa ao pegarmos o material e encontrar uma preguiça que só existia na Argentina e que nunca tinha sido vista aqui, guardada em uma gaveta por tantos anos!

Artur Chahud, autor da pesquisa, para o Jornal da USP.

A preguiça provavelmente viveu entre os períodos Pleistoceno e Holoceno (de 11 mil anos atrás até o presente). Media cerca de 2 metros de altura e estava na sua fase adulta.

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Fósseis de outra espécie de preguiça-gigante, o Eremotherium, também foram descobertos no Abismo Ponta de Flecha. O exemplar de calcâneo indica que o animal teria cerca de 4 metros de altura e estava em fase de crescimento. As atuais descobertas corroboram a ideia de que esses animais não eram arborícolas (vivem a maior parte da vida em cima de árvores), como as espécies atuais, devido aos seus tamanhos.